Repertórios coringa são referências que se adaptam a muitos temas de redação, como uma lei, um livro, um filme ou um conceito que você domina bem. Eles economizam tempo de estudo, porque um mesmo repertório bem entendido pode sustentar argumentos em provas diferentes.
O cuidado está na ligação com o tema. A cartilha do ENEM 2026 reforçou o alerta contra o repertório de bolso, aquela citação decorada e encaixada em qualquer proposta. Aqui você vê 7 coringas e aprende a usá-los com aderência real.
- O que são repertórios coringa
- 7 repertórios coringa
- Como usar sem virar bolso
- Quadro resumitivo
- Perguntas frequentes
O que são repertórios coringa?
São referências socioculturais legítimas que combinam com vários eixos temáticos, como direitos, desigualdade, tecnologia e meio ambiente. No método do Profinho, um coringa só conta ponto quando você explica a referência e mostra a ligação dela com o tema da prova.
7 repertórios coringa para a redação do ENEM
Os sete coringas abaixo cobrem as três fontes mais usadas pela banca: leis e documentos, pensadores brasileiros e estrangeiros, e produções culturais. Para cada um, você vê o que ele diz, com quais temas combina e um exemplo de uso em frase.
1. Constituição Federal de 1988, artigo 6º
O artigo 6º lista os direitos sociais dos brasileiros: educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados.
Combina com qualquer tema em que um grupo tem um desses direitos negado na prática. É o coringa mais seguro da lista, porque quase todo tema do ENEM toca em um direito social.
Exemplo de uso
“Embora o artigo 6º da Constituição Federal de 1988 assegure a moradia como direito social, milhões de brasileiros ainda vivem em áreas de risco, sem acesso a saneamento.”
2. Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948
Aprovada pela ONU em 1948, a declaração afirma que todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Ela sustenta argumentos sobre preconceito, exclusão e violência contra grupos vulneráveis.
Use quando o tema envolver discriminação ou violação da dignidade humana. Lembre que a Competência 5 exige respeito aos direitos humanos, então essa referência também ajuda a pensar uma proposta coerente.
3. Hannah Arendt e a banalidade do mal
No livro “Eichmann em Jerusalém”, de 1963, a filósofa Hannah Arendt usa a expressão banalidade do mal para mostrar que grandes injustiças podem ser praticadas por pessoas comuns que cumprem ordens ou repetem comportamentos sem refletir sobre eles.
Combina com temas em que a sociedade normaliza um problema, como a violência contra a mulher, o descarte irregular de lixo ou o discurso de ódio nas redes. Na lista DEMOAI do Profinho, ela conversa bem com as causas egoísmo e maldade humana.
Erro comum com esse coringa
Citar “banalidade do mal” como sinônimo de maldade. O conceito fala da falta de reflexão de pessoas comuns, e usar no sentido errado mostra ao corretor que você decorou o nome sem entender a ideia.
Como evitar: antes de citar, escreva uma frase que explique o conceito com as suas palavras. Se não conseguir, escolha outro repertório.
4. Milton Santos e a outra globalização
No livro “Por uma outra globalização”, de 2000, o geógrafo brasileiro Milton Santos mostra que a globalização não chega igual para todos: ela beneficia uma parte da população e aprofunda a exclusão da outra.
Combina com temas de desigualdade social, exclusão digital, acesso à tecnologia e trabalho. Tem a vantagem de ser um pensador brasileiro, o que facilita a ligação com a realidade do país.
Exemplo de uso
“Como analisa Milton Santos em ‘Por uma outra globalização’, os avanços tecnológicos não se distribuem de forma igual, e estudantes sem internet em casa ficaram para trás durante o ensino remoto.”
5. Carolina Maria de Jesus, “Quarto de Despejo”
Publicado em 1960, o livro reúne o diário de Carolina Maria de Jesus, moradora da favela do Canindé, em São Paulo. Ela registra a fome, a pobreza e a invisibilidade de quem vive à margem.
Combina com temas de fome, desigualdade, moradia, trabalho informal e invisibilidade social. É um repertório literário com voz brasileira, que costuma render uma abertura forte na introdução.
Exemplo de uso
“Em ‘Quarto de Despejo’, de 1960, Carolina Maria de Jesus registrou a fome como companheira diária dos moradores da favela do Canindé. Mais de seis décadas depois, a insegurança alimentar ainda atinge milhões de famílias brasileiras, o que mostra que a realidade descrita no diário segue atual.”
6. “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado
O curta-metragem de 1989 acompanha o caminho de um tomate, da plantação ao lixão, onde pessoas disputam com porcos os restos de comida. Com ironia, o filme critica a lógica do consumo e a desigualdade.
Combina com temas de desperdício de alimentos, meio ambiente, consumo e pobreza. Por ser curto e muito citado em sala de aula, é fácil de revisar antes da prova. Ao usar, descreva a cena final em uma frase: é ela que dá força ao argumento, porque mostra que o alimento descartado por uns falta para outros.
7. Agenda 2030 da ONU
Aprovada em 2015, a Agenda 2030 reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como erradicação da pobreza, educação de qualidade, igualdade de gênero e ação contra a mudança do clima.
Combina com praticamente qualquer eixo temático, porque cada objetivo cobre uma área. Use o objetivo específico que conversa com o tema e mostre que o Brasil ainda está distante da meta.
Monte o seu banco de coringas
Escolha três coringas desta lista e escreva, para cada um, uma frase de uso em três eixos diferentes: educação, saúde e meio ambiente. Em uma semana, você terá nove frases de treino e saberá quais referências domina de verdade.
Como usar um repertório coringa sem virar repertório de bolso
A diferença entre coringa e bolso está no uso. O mesmo repertório pode valer ponto em uma redação e virar enfeite em outra. No método do Profinho, o uso produtivo segue três movimentos dentro do parágrafo.
- Apresente a referência com marca: nome, data, autor ou número da lei.
- Explique a ideia central em uma frase, com as suas palavras.
- Ligue a ideia ao tema no Brasil de hoje, com um exemplo concreto.
Nesta aula, o Profinho apresenta repertórios versáteis e mostra como adaptar cada um ao tema do dia.
Depois, feche o parágrafo retomando o repertório, para mostrar que ele sustentou o argumento do começo ao fim. O guia de repertório para redação aprofunda esse uso, e o de repertório sociocultural por tema traz opções específicas para cada eixo.
Faça também o teste da aderência antes de usar qualquer coringa: procure no repertório uma palavra do tema, um sinônimo dela ou um termo muito próximo. Se você precisa de várias frases para explicar a ligação, o repertório está sendo forçado e vale trocar por outro da lista.
O passo a passo para escolher e encaixar repertórios está no livro Guia da Redação Nota 1000, do Profinho. Para ver os coringas funcionando em um texto completo, leia o guia de redação nota 1000 e o modelo de redação do Profinho.
Quadro resumitivo dos repertórios coringa
| Repertório | Tipo | Temas que combinam | Cuidado ao usar |
|---|---|---|---|
| Constituição de 1988, artigo 6º | Lei | Qualquer direito social negado | Cite o direito específico do tema |
| Declaração Universal dos Direitos Humanos | Documento internacional | Preconceito, exclusão e violência | Ligue ao grupo afetado no Brasil |
| Hannah Arendt, banalidade do mal | Conceito filosófico | Normalização de problemas sociais | Não usar como sinônimo de maldade |
| Milton Santos, outra globalização | Pensador brasileiro | Desigualdade e exclusão digital | Mostre quem fica de fora |
| Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo | Literatura | Fome, pobreza e invisibilidade | Cite o ano e o contexto da obra |
| Ilha das Flores | Cinema | Desperdício, consumo e meio ambiente | Explique a cena do lixão |
| Agenda 2030 da ONU | Documento internacional | Qualquer eixo temático | Cite o objetivo que combina com o tema |
Perguntas frequentes sobre repertórios coringa
Repertório coringa é permitido no ENEM?
É permitido. O que perde ponto é o repertório sem ligação com o tema, que a cartilha do Inep chama de repertório de bolso. Um coringa bem explicado e ligado ao tema conta como repertório legitimado e produtivo.
Quantos repertórios coringa preciso saber?
Entre cinco e oito bem entendidos já cobrem a maioria dos eixos temáticos. Dominar poucos com segurança rende mais do que decorar vinte nomes sem saber explicar nenhum.
Posso usar o mesmo repertório na introdução e no desenvolvimento?
Pode retomar, mas o ideal é usar referências diferentes em cada parágrafo. Isso mostra repertório variado e deixa cada argumento com a sua própria base.
Qual o melhor repertório coringa para a introdução?
Os que trazem data e imagem forte, como uma obra literária, um filme ou um fato histórico. A Constituição e a Agenda 2030 funcionam melhor no desenvolvimento, como base do argumento.


