Proposta de intervenção é a parte da redação do Enem em que você apresenta uma solução para os problemas discutidos ao longo do texto. Normalmente, ela aparece na conclusão e tem enorme importância, porque está diretamente relacionada à Competência 5, que vale até 200 pontos.

Para fazer uma boa proposta de intervenção no Enem, não adianta escrever apenas que “o governo precisa resolver o problema”. Seguindo o Método do Profinho, você precisa construir uma solução completa com cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento.

O que é proposta de intervenção?

Proposta de intervenção é uma sugestão prática para melhorar ou solucionar os problemas apresentados na redação.

No Método do Profinho, ela corresponde ao Passo 9 da redação nota 1000 e deve apresentar cinco elementos claramente identificáveis.

Para memorizar, pense assim:

AGENTE + AÇÃO + MEIO + FINALIDADE + DETALHAMENTO

Essa lógica continua alinhada à orientação oficial disponível do Inep. A Cartilha do Participante explica que a proposta deve indicar ação, agente, modo ou meio, efeito e detalhamento, sempre respeitando os direitos humanos.

Para o Enem 2026, esse conteúdo continua especialmente importante. O edital do exame já foi publicado, enquanto a página oficial de documentos do Inep, atualizada em julho de 2026, ainda apresenta como cartilha de redação mais recente a edição referente ao Enem 2025.

Para complementar seus estudos, assista ao vídeo do Profinho sobre modelo pronto de redação:

O vídeo ajuda a visualizar como as diferentes partes da redação nota 1000 se conectam até chegar à conclusão.

Teoria sobre proposta de intervenção

A proposta de intervenção não deve aparecer do nada. Ela precisa nascer dos problemas e argumentos desenvolvidos anteriormente. No Método do Profinho, uma boa conclusão transforma a crítica feita durante a redação em uma solução organizada e possível. O segredo é saber exatamente a função de cada elemento.

1. Agente: quem vai fazer?

O agente é quem assume a responsabilidade pela intervenção.

Pode ser um agente estatal, como Ministério da Educação, Ministério da Saúde, escolas, prefeituras e Poder Legislativo, ou um agente social, como famílias, empresas e sociedade civil.

Imagine uma redação sobre desinformação entre jovens. Em vez de escrever:

“É necessário combater a desinformação.”

Você pode estabelecer um responsável:

“As escolas devem combater a desinformação entre os estudantes…”

Agora existe alguém responsável pela iniciativa.

Um cuidado importante ensinado pelo Profinho é evitar agentes nulos. Expressões muito vagas, como “alguém”, “todos”, “a gente” ou simplesmente “deve haver”, não deixam claro quem executará a intervenção.

2. Ação: o que será feito?

Depois de responder quem, responda o quê.

A ação mostra aquilo que o agente efetivamente fará para enfrentar o problema. Verbos como desenvolver, estimular, promover, fiscalizar, orientar, capacitar, disponibilizar, ensinar e informar ajudam bastante.

Exemplo:

“As escolas devem desenvolver a educação midiática entre os estudantes…”

Perceba que agora já temos:

Agente: escolas
Ação: desenvolver a educação midiática

O Profinho também recomenda evitar ações genéricas demais. “Tomar medidas”, por exemplo, praticamente não explica o que será feito.

3. Meio: como a ação acontecerá?

Aqui está uma pergunta simples que salva muita proposta de intervenção:

Como isso será feito?

O meio transforma uma boa intenção em algo mais concreto.

Alguns marcadores úteis são:

por meio de, por intermédio de, a partir de e através de.

Continuando nosso exemplo:

“As escolas devem desenvolver a educação midiática entre os estudantes, por meio de projetos pedagógicos…”

Agora a proposta começa a ganhar forma.

O Método do Profinho apresenta três meios muito versáteis: projetos sociais, quando a iniciativa parte da sociedade civil ou de empresas; projetos pedagógicos, quando parte das escolas; e políticas públicas, quando depende do Poder Público.

4. Finalidade: para quê?

A finalidade explica o resultado esperado.

Pergunte:

Para que essa ação será realizada?

Exemplo:

“As escolas devem desenvolver a educação midiática entre os estudantes, por meio de projetos pedagógicos, a fim de ampliar a capacidade dos jovens de identificar informações falsas.”

Temos:

Agente: escolas
Ação: desenvolver a educação midiática
Meio: projetos pedagógicos
Finalidade: ampliar a capacidade de identificar informações falsas

Expressões como “para que”, “a fim de”, “com intuito de” e “com objetivo de” ajudam a demarcar essa parte da proposta.

5. Detalhamento: o elemento que deixa a proposta completa

O detalhamento acrescenta uma explicação ou um exemplo relacionado a algum elemento da proposta.

Você pode detalhar o agente, a ação, o meio ou a finalidade.

Observe:

“As escolas, responsáveis pela transformação social, devem desenvolver a educação midiática entre os estudantes…”

O trecho “responsáveis pela transformação social” explica melhor o agente.

Outra possibilidade:

“…por meio de projetos pedagógicos, como palestras e oficinas de checagem de informações…”

Nesse caso, “palestras e oficinas” exemplificam o meio.

Segundo o Método do Profinho, informações referentes apenas a tempo e lugar não funcionam, por si mesmas, como detalhamento.

6. A proposta precisa conversar com os argumentos

Este é um ponto fundamental para quem quer fazer uma redação nota 1000.

A conclusão não pode parecer um parágrafo pronto que você decorou em casa.

No Método do Profinho, existe uma orientação muito importante na Competência 3: solucione cada argumento na proposta de intervenção. Se você desenvolveu, por exemplo, “antigos pensamentos da sociedade” e “omissão do Estado”, sua conclusão deve tentar responder a esses problemas.

Isso cria um verdadeiro projeto de texto:

Introdução: anuncia os argumentos.

Desenvolvimento: explica os argumentos.

Conclusão: apresenta caminhos para enfrentá-los.

É assim que a redação deixa de ser um monte de frases bonitas e passa a funcionar como um texto organizado.

7. Modelo de proposta de intervenção nota 1000

Imagine uma redação sobre os desafios do combate à desinformação entre os jovens brasileiros.

Uma proposta poderia ser:

Portanto, é urgente combater a disseminação de informações falsas entre os jovens. Para isso, as escolas, responsáveis pela formação crítica dos estudantes, devem desenvolver a educação midiática, por meio de projetos pedagógicos, como oficinas de checagem de fontes e análise de conteúdos digitais, a fim de ampliar a capacidade dos adolescentes de reconhecer informações falsas e utilizarem a internet de maneira mais responsável.

Agora vamos desmontar a frase:

Agente: as escolas

Detalhamento do agente: responsáveis pela formação crítica dos estudantes

Ação: desenvolver a educação midiática

Meio: projetos pedagógicos

Detalhamento do meio: oficinas de checagem de fontes e análise de conteúdos digitais

Finalidade: ampliar a capacidade dos adolescentes de reconhecer informações falsas e utilizar a internet de maneira mais responsável

Percebeu o macete?

Você não precisa decorar uma conclusão inteira. Precisa aprender a lógica que constrói a conclusão.

E isso é especialmente importante porque uma estrutura decorada sem relação real com o problema pode gerar uma proposta artificial. A ideia é dominar a técnica para conseguir adaptá-la ao tema que aparecer no Enem 2026.

Se você quer aprender não apenas a proposta de intervenção, mas os 10 passos completos da redação nota 1000, vale estudar o Guia da Redação Nota 1000, do Profinho:

https://a.co/d/0221j2he

Quadro resumitivo

ElementoPergunta que você deve fazerExemplo
AgenteQuem fará?As escolas
AçãoO que será feito?desenvolver a educação midiática
MeioComo será feito?por meio de projetos pedagógicos
FinalidadePara quê?para ampliar o senso crítico dos jovens
DetalhamentoComo posso explicar ou exemplificar melhor?oficinas de checagem de informações

O macete final é simples:

Quem + faz o quê + como + para quê + com qual detalhe.

Se você conseguir responder claramente a essas cinco perguntas e conectar a solução aos argumentos desenvolvidos na redação, estará muito mais perto de construir uma proposta de intervenção completa e uma redação nota 1000 no Enem 2026.