Um modelo de redação é um texto dissertativo-argumentativo completo que serve de referência de arquitetura, e não de conteúdo para copiar. O que se repete de uma redação para outra é a estrutura dos parágrafos, não as palavras.
Aqui você encontra um modelo real do Profinho na íntegra, escrito no método dos 10 passos, seguido da análise de cada parte do texto, do quadro de consulta rápida e das dúvidas mais comuns de quem estuda por modelos para o ENEM 2026.
O que é um modelo de redação?
Modelo de redação é um texto pronto, corrigido segundo os critérios do ENEM, usado para o estudante observar como cada parágrafo é construído. Ele mostra abertura com repertório legitimado, tese com juízo de valor, dois desenvolvimentos com aderência ao tema e proposta de intervenção detalhada.
O uso correto é a imitação da estrutura, e não a decoração do texto. Se você copiar frases prontas na prova, cai em fuga ao tema ou em repertório improdutivo. Se copiar a arquitetura, escreve mais rápido e com menos risco.
Nesta aula, o Profinho monta um modelo do zero e explica a decisão por trás de cada linha.
Modelo de redação do Profinho na íntegra
O texto abaixo é o modelo do tema “Democratização do acesso ao Ensino Superior no Brasil”, que abre o eixo de Educação do material do Profinho. Leia primeiro como leitor, depois volte para a análise parágrafo a parágrafo.
Em 1808, a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil trouxe o embrião da formação acadêmica ao país: a faculdade de medicina da Bahia, criada com o intuito de atender às necessidades da elite. De maneira análoga ao seu início, o Ensino Superior, que começou restrito à nobreza, ainda se mantém como um privilégio na sociedade brasileira, visto que o acesso às universidades não é plenamente democratizado. Com efeito, a solução para essa problemática histórica pressupõe o combate tanto à precariedade da educação de base quanto à desigualdade social intensificada por essa exclusão.
Diante desse cenário, a insuficiência do sistema educacional básico figura como um entrave central. Embora, em 1998, o governo de Fernando Henrique Cardoso tenha criado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com o objetivo de ampliar o acesso à universidade, a concretização desse direito permanece utópica para muitos. Isso ocorre porque o ensino público se mostra estruturalmente precário, na medida em que escolas periféricas funcionam sem laboratórios, com turmas de mais de 40 alunos e professores acumulando disciplinas por falta de concurso. Assim, enquanto a deficiência na capacitação educacional for a regra, o Ensino Superior continuará sendo um espaço restrito às classes dominantes.
Ademais, a dificuldade de acesso às academias de ensino potencializa a chaga da desigualdade social no Brasil. Sob esse viés, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabelece, por meio do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que a educação e a renda são pilares para uma vida digna. Ocorre que, ao ser privado do diploma universitário, o indivíduo é inserido em um círculo vicioso de escassez: jovens sem formação superior ocupam postos informais com remuneração até três vezes menor que a de graduados. Desse modo, a não efetivação do direito à educação superior, defendido indiretamente pela ONU, impede a quebra desse ciclo e perpetua as disparidades que marcam a nação.
Portanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pela transformação social por meio do ensino, deve promover a isonomia no acesso à universidade, por meio do fortalecimento da educação básica, com o redirecionamento de verbas para a contratação de professores e a modernização da infraestrutura escolar, como a realização de concursos para suprir a falta de docentes e a construção de laboratórios nas escolas periféricas que hoje abrigam turmas de mais de 40 alunos, entraves denunciados no próprio texto. Dessa forma, o Brasil superará a herança elitista de Dom João VI e transformará o acesso à universidade, de fato, em um direito de todos.
7 partes do modelo, explicadas uma a uma
Agora releia o texto acima acompanhando a análise. Cada item mostra qual função aquela parte cumpre e como reproduzir a mesma função em qualquer tema.
1. Abertura com repertório legitimado
O texto começa com uma alusão histórica datada, a chegada da Família Real em 1808 e a criação da faculdade de medicina da Bahia. Não é uma frase genérica sobre educação: é um fato verificável que já introduz a ideia de elite.
Como reproduzir: escolha um fato que você saiba explicar em uma linha e que tenha ligação direta com a expressão-chave do tema. Se o repertório não tiver essa aderência, ele vira repertório de bolso.
2. Tese com juízo de valor
A segunda frase liga passado e presente com “de maneira análoga ao seu início” e crava a posição: o Ensino Superior ainda é um privilégio. Há um julgamento explícito, e não apenas a descrição do tema.
Como reproduzir: depois do repertório, escreva uma frase que diga o que você pensa sobre o problema. Sem juízo de valor, o corretor não identifica a tese e a Competência 3 sofre.
3. Antecipação argumentativa
A introdução fecha anunciando os dois caminhos do texto: a precariedade da educação de base e a desigualdade social. Isso é o spoiler dos parágrafos seguintes.
Como reproduzir: escolha dois fatores, e apenas dois. Cada um vira um parágrafo de desenvolvimento, e a folha de 30 linhas não comporta mais do que isso com profundidade.
4. Desenvolvimento 1 com quebra de expectativa
O parágrafo abre com “diante desse cenário”, retomando a introdução, e usa “embora” para criar o contraste: o Enem foi criado para ampliar o acesso, mas o direito segue distante. Em seguida vem a explicação concreta, com escolas sem laboratório e turmas de mais de 40 alunos, e o fechamento retoma a tese.
Como reproduzir: siga a sequência tópico frasal, repertório, quebra de expectativa, explicação concreta e conclusão parcial. O detalhe que dá força aqui é a concretude, porque números e cenas específicas comprovam mais do que adjetivos.
5. Desenvolvimento 2 com repertório institucional
O segundo parágrafo abre com “ademais”, sinalizando adição, e traz a ONU e o IDH como repertório. Depois aparece a consequência social, o círculo vicioso de escassez, com a comparação de remuneração entre quem tem e quem não tem diploma.
Como reproduzir: no segundo desenvolvimento, prefira um repertório de natureza diferente do primeiro. Se o parágrafo anterior usou história, use aqui uma instituição, uma lei ou um dado, o que demonstra repertório sociocultural diversificado.
6. Proposta de intervenção com os cinco elementos
O último parágrafo traz tudo o que a Competência 5 exige. O agente é o Ministério da Educação, a ação é promover a isonomia no acesso, o meio é o fortalecimento da educação básica com redirecionamento de verbas, o efeito é a superação da herança elitista e o detalhamento aparece na explicação de como as verbas serão aplicadas.
Como reproduzir: nomeie o agente com precisão, evite “o governo deve” e escreva o meio de forma executável por esse agente. Nosso guia de proposta de intervenção destrincha os cinco elementos.
7. Fechamento que retoma a abertura
A última linha volta a Dom João VI, personagem da primeira frase. O texto fecha o círculo que abriu, e essa retomada é o que dá sensação de projeto de texto completo.
Como reproduzir: guarde uma palavra ou personagem da abertura para usar no fim. É um recurso simples, custa uma linha e transmite unidade ao corretor que acabou de ler tudo.
Esse modelo faz parte do material do Profinho com 150 redações organizadas em 11 eixos temáticos, todas construídas com a mesma arquitetura. O método completo, passo a passo, está no Guia da Redação Nota 1000.
Quadro resumitivo do modelo de redação
Use o quadro para conferir a sua própria redação depois de escrever.
| Parágrafo | O que precisa ter | Competência avaliada |
| Introdução | Repertório, tese com juízo de valor e antecipação | C2 e C3 |
| Desenvolvimento 1 | Tópico frasal, repertório, explicação e fechamento | C2, C3 e C4 |
| Desenvolvimento 2 | Segundo fator com repertório de outra natureza | C2, C3 e C4 |
| Conclusão | Agente, ação, meio, efeito e detalhamento | C5 |
| Texto inteiro | Norma culta, conectivos variados e parágrafos nítidos | C1 e C4 |
A prova do ENEM 2026 acontece em 8 de novembro. Treinar com um modelo por semana, sempre de eixos diferentes, é o que fixa a arquitetura antes da prova. A lista de eixos temáticos da redação do ENEM ajuda a distribuir esse treino.
Perguntas frequentes sobre modelo de redação
Posso decorar um modelo de redação e usar na prova?
Não. Texto decorado costuma resultar em fuga ao tema, além de repertório improdutivo. O que se copia de um modelo é a estrutura dos parágrafos, e o conteúdo você adapta à proposta do dia.
Modelo de redação serve para qualquer tema?
A arquitetura serve. Você mantém a sequência de parágrafos e troca repertório, tese, argumentos e proposta conforme o tema, o que preserva a estrutura do texto dissertativo-argumentativo sem correr risco de fuga.
Quantos modelos preciso estudar?
Poucos, bem analisados, rendem mais que muitos lidos por cima. Estudar dez modelos parágrafo a parágrafo ensina mais do que ler cem sem observar a construção de cada trecho.
Existe modelo de redação para concurso?
Existe, com estrutura diferente. Muitas bancas não pedem proposta de intervenção e cobram outros gêneros, como parecer e relatório, conforme explicamos na redação para concurso.
Escreva seguindo o modelo e confira o resultado
Pegue o modelo acima, escolha outro tema e escreva a sua redação repetindo a mesma sequência de parágrafos. Depois compare os dois textos lado a lado e veja se cada parte cumpre a mesma função.
Envie o seu texto para a Plataforma SOFIA e receba o feedback nas cinco competências do ENEM, com a nota de cada uma comentada.
Para escolher a proposta de treino, use a lista de temas de redação.



