Critérios de avaliação da redação do ENEM são as regras que o Inep usa para transformar um texto em uma nota de 0 a 1.000. Elas combinam cinco competências, seis níveis de pontuação, situações que zeram a prova e um sistema de dois corretores independentes.

Este artigo olha para o lado de quem decide a nota. Em vez de repetir o que cada competência exige, ele explica como as regras se encaixam, para você ensinar e avaliar com mais segurança antes da prova de 8 e 15 de novembro de 2026.

  1. O que são os critérios de avaliação da redação do ENEM?
  2. 7 regras de avaliação que todo professor precisa dominar
  3. Quadro resumitivo: critérios de avaliação da redação do ENEM
  4. Perguntas frequentes sobre os critérios de avaliação da redação do ENEM

O que são os critérios de avaliação da redação do ENEM?

São o conjunto de regras públicas que orienta o corretor a atribuir pontos a cada redação. Na leitura do Profinho, eles funcionam em camadas: primeiro o corretor verifica se o texto pode ser avaliado, depois aplica as cinco competências, e por fim a nota passa pelo controle de discrepância entre corretores.

Para mostrar ao aluno como os critérios aparecem em uma redação de nota máxima, este vídeo do canal do Profinho reúne a visão de quem tirou 1000 e explica as escolhas do texto.

7 regras de avaliação que todo professor precisa dominar

Os sete itens abaixo seguem a ordem em que a banca raciocina. Para o detalhamento de cada competência, o Profinho tem posts específicos, indicados ao longo do texto, e este artigo concentra a atenção nas regras que conectam as partes.

1. A nota final nasce de dois corretores independentes

Cada redação é lida por dois corretores, que não sabem a nota um do outro. Cada um atribui pontos às cinco competências, e a nota final é a média aritmética das duas avaliações. Isso explica por que duas correções feitas por professores diferentes podem divergir sem que ninguém esteja errado.

Para o aluno, a mensagem é clara: escreva para que qualquer leitor treinado encontre os mesmos elementos. Texto que depende de interpretação generosa é arriscado. Frases diretas, tese visível e proposta completa reduzem a margem de dúvida.

2. Cada competência vale de 0 a 200 em níveis de 40 pontos

As cinco competências somam 1.000 pontos. Cada uma é pontuada em seis níveis: 0, 40, 80, 120, 160 e 200. Não existe nota intermediária, como 150 ou 190, dentro de uma competência. O corretor escolhe o nível que melhor descreve o texto.

Essa estrutura em degraus tem uma consequência prática. Uma pequena falha pode custar 40 pontos de uma vez, enquanto uma melhoria pontual pode subir um degrau inteiro. Ao devolver uma redação, indique ao aluno qual característica separa o nível atual do próximo. Para ver cada competência em detalhe, leia o artigo sobre as competências da redação do ENEM.

3. Existem situações que zeram a redação antes das competências

Antes de avaliar as competências, o corretor verifica se o texto pode ser avaliado. O Profinho chama essa triagem de Filtro de Entrada, e as ocorrências que impedem a correção são as Formas Elementares de Anulação, as FEA. Entre as situações previstas nos critérios oficiais estão a fuga ao tema, a não obediência ao tipo textual dissertativo-argumentativo e o texto com até sete linhas.

Também zeram a redação a folha em branco, o texto escrito em outra língua e as marcas propositais de anulação, como desenhos, impropérios e numeração de palavras ou linhas. Com tantas ocorrências possíveis, a leitura atenta da cartilha da redação do ano é indispensável. A edição de 2026 foi publicada pelo Inep em 18 de setembro.

Vale lembrar que o desrespeito aos direitos humanos, por si só, zera a Competência 5, e o restante do texto continua sendo avaliado nas outras competências.

Exercício para a turma

Um bom exercício para a turma: entregue cinco trechos curtos de redações, alguns com problemas que zeram e outros apenas com falhas de nível baixo, e peça que os alunos digam quais seriam anulados. A discussão mostra a diferença entre uma redação ruim e uma redação que não pode ser avaliada.

4. Quando há discrepância, entra um terceiro corretor

Se as notas dos dois corretores forem muito diferentes, a redação segue para um terceiro corretor. Pelas regras divulgadas pelo Inep, isso acontece quando a diferença na nota total passa de 100 pontos ou quando a diferença em uma mesma competência passa de 80 pontos. Em casos extremos, uma banca de professores faz a avaliação final.

Para a sala de aula, a lição é aplicar a mesma lógica. Quando você corrige em dupla com outro professor, compare competência por competência e discuta as diferenças acima de 80 pontos. Essa conversa afina o critério da equipe e evita que o aluno receba notas muito diferentes conforme o corretor.

5. Na Competência 1, o menor nível entre sintaxe e desvios prevalece

A Competência 1 avalia o domínio da escrita formal. No método trabalhado pelo Profinho, o professor avalia separadamente a estrutura sintática e os desvios gramaticais, e o menor nível encontrado entre os dois critérios define a nota. O Profinho chama esse procedimento de regressão compulsória.

Na prática

Na prática, uma redação com poucos desvios pode ficar em nível mediano porque as frases são truncadas ou excessivamente longas. O inverso também ocorre: boa sintaxe com muitos desvios derruba o nível. O post sobre como corrigir uma redação mostra o procedimento passo a passo.

Na Competência 2, o raciocínio é parecido: o corretor verifica primeiro se o texto cumpre o tipo dissertativo-argumentativo e se desenvolve o tema, e só depois analisa o uso de repertório. Um texto que tangencia o tema fica nos níveis mais baixos dessa competência, mesmo que a escrita seja muito boa.

6. A organização do texto limita a Competência 4

A Competência 4 olha para os mecanismos linguísticos que ligam as partes do texto: conectivos, retomadas, referenciação. A paragrafação entra na conta. No protocolo do Profinho, a redação em monobloco, sem divisão nítida em parágrafos, limita essa competência a 80 pontos.

Do mesmo modo, a falta de variedade nos conectivos e a repetição de uma mesma expressão no início de todos os parágrafos pesam na decisão do nível. Por isso o aluno deve planejar a ligação entre as ideias antes de escrever, e o professor deve observar tanto a presença quanto a precisão dos conectores.

7. A proposta de intervenção precisa dialogar com a argumentação

Na Competência 5, o corretor verifica se a proposta é relacionada ao tema, articulada à discussão do texto e detalhada. Uma proposta pode ter ação correta e, ainda assim, perder pontos se o problema que ela resolve não foi discutido no desenvolvimento.

A proposta completa reúne agente, ação, meio ou modo, finalidade e detalhamento. Quanto mais esses elementos aparecem de forma precisa, mais alto tende a ser o nível. Para treinar, use o conteúdo sobre proposta de intervenção e o espelho de correção da redação do ENEM, que mostra como fica a avaliação em um texto real.

Se você quer aprofundar a formação em correção, conheça a pós-graduação em ensino e correção da redação do ENEM, que trabalha esses critérios com prática de correção. O livro Guia da Redação Nota 1000 também ajuda o aluno a enxergar os critérios pela perspectiva de quem escreve.

Para usar em sala

Uma sugestão para a sala de aula é transformar essas sete regras em uma ficha de correção de uma página. Na primeira coluna, o professor registra o resultado do Filtro de Entrada. Nas cinco seguintes, anota o nível de cada competência. Na última, escreve a prioridade de reescrita. Com a ficha pronta, a correção fica mais rápida e a devolutiva ganha clareza para o aluno.

Quadro resumitivo: critérios de avaliação da redação do ENEM

RegraComo funcionaO que o professor deve fazer
Dois corretoresNota final é a média das duas avaliaçõesEnsinar o aluno a escrever de forma clara e verificável
NíveisSeis níveis por competência: 0, 40, 80, 120, 160 e 200Indicar o que separa o nível atual do próximo
Filtro de EntradaVerifica situações que zeram o textoChecar fuga, tipo textual, extensão e anulações antes de tudo
DiscrepânciaMais de 100 pontos no total ou 80 em uma competência leva a terceiro corretorComparar correções em dupla por competência
Competência 1Menor nível entre sintaxe e desvios prevaleceAvaliar sintaxe e desvios em separado
Competência 4Monobloco limita a 80 pontos no protocolo do ProfinhoExigir paragrafação visível
Competência 5Proposta relacionada, articulada e detalhadaTreinar os cinco elementos da proposta

Perguntas frequentes sobre os critérios de avaliação da redação do ENEM

Como é calculada a nota da redação do ENEM?

Dois corretores avaliam o texto de forma independente, atribuindo de 0 a 200 pontos a cada uma das cinco competências. A nota final é a média aritmética das duas avaliações, podendo chegar a 1.000 pontos.

O que faz a redação do ENEM receber nota zero?

Situações como fuga ao tema, não atendimento ao tipo textual dissertativo-argumentativo, texto com até sete linhas, folha em branco, impropérios e marcas propositais de anulação levam à nota zero. A cartilha do participante de cada ano lista as ocorrências oficiais.

O que acontece quando os dois corretores dão notas muito diferentes?

A redação vai para um terceiro corretor quando a diferença passa de 100 pontos na nota total ou de 80 pontos em uma competência. Se a divergência persistir, uma banca decide.

Os critérios de avaliação mudam todo ano?

A estrutura das cinco competências é a mesma há muitos anos. O que o Inep atualiza são a cartilha e os exemplos, por isso é importante ler o material do ano da prova.

Se você ensina ou corrige redação e quer discutir esses critérios com outros professores, entre na Comunidade FAPEP do Profinho e troque experiências de correção.