A cartilha da redação do Enem 2026 é o guia oficial do Inep que explica como o seu texto será corrigido, o que leva à nota zero e o que os corretores esperam em cada competência. O material foi publicado em 18 de setembro de 2026, a cerca de 50 dias da prova.

Se você quer fazer uma redação nota 1000 no dia 8 de novembro, ler esse documento com atenção faz diferença. Neste artigo, você vê o que a cartilha traz, quais são as novidades de 2026 e como transformar cada critério em treino prático.

Veja o vídeo do Profinho sobre a cartilha do Enem 2026 no Instagram.

O que é a cartilha da redação do Enem 2026?

É a publicação do Inep que reúne a Matriz de Referência, as regras de nota zero e 10 redações do Enem 2025 comentadas pela equipe pedagógica. Na metodologia do Profinho, ela funciona como o manual do corretor aberto para o aluno: quem entende os critérios escreve pensando em quem vai corrigir.

7 lições da cartilha da redação do Enem 2026 para colocar em prática

A cartilha tem 82 páginas. Para você não se perder, separamos as 7 lições mais úteis para o seu treino, desde a forma como a nota é calculada até a novidade da Competência 5. Em cada uma, você vê o que o Inep diz e como aplicar isso no seu texto.

1. Como a nota da redação é calculada

A sua redação é corrigida por, no mínimo, duas pessoas formadas em Letras ou Linguística. Elas trabalham de forma independente, ou seja, uma não sabe a nota que a outra deu. Cada corretor atribui de 0 a 200 pontos para cada uma das cinco competências, sempre em seis níveis: 0, 40, 80, 120, 160 ou 200.

A nota total de cada corretor pode chegar a 1.000 pontos, e a sua nota final é a média aritmética das duas correções. Quando as duas notas ficam muito distantes, o Inep chama isso de discrepância. Ela acontece em dois casos: diferença de mais de 100 pontos no total ou diferença de mais de 80 pontos em qualquer competência.

Veja um exemplo. O corretor A deu 880 e o corretor B deu 760. A diferença é de 120 pontos, acima do limite de 100. Nesse caso, um terceiro corretor avalia o texto, e a nota final passa a ser a média das duas notas mais próximas. Se a discrepância continuar, uma banca com três avaliadores define a nota.

A lição prática é simples: escreva de um jeito que qualquer leitor entenda da mesma forma. Um texto confuso, que depende da boa vontade do corretor, corre mais risco de receber notas muito diferentes.

2. O que zera a redação do Enem 2026

A cartilha lista as situações em que a redação recebe nota zero. Vale ler com calma, porque todas elas podem ser evitadas com atenção:

Três pontos merecem atenção extra. O primeiro é a cópia: linhas copiadas, total ou parcialmente, dos textos motivadores ou do caderno de questões são descontadas da contagem de linhas. O segundo é o título: ele é opcional e não recebe nota, mas conta como linha escrita e pode anular a redação se tiver desenho, sinal gráfico sem função ou impropério.

O terceiro é a parte desconectada. A cartilha dá exemplos: bilhete para a banca, oração, mensagem religiosa, comentário sobre o próprio desempenho e trecho de música ou poema solto no texto. Uma mensagem de protesto só vira problema quando aparece de forma proposital e desligada da argumentação. Para revisar as regras de preenchimento, confira o nosso artigo sobre a folha de redação do ENEM.

3. Competência 1: frases completas e poucos desvios

A Competência 1 avalia se você domina a escrita formal. O corretor observa quatro tipos de desvio: convenções da escrita (acentuação, ortografia, hífen, maiúsculas e separação de sílabas), desvios gramaticais (concordância, regência, crase, pontuação e pronomes), escolha de registro (gírias e marcas de oralidade) e escolha vocabular (palavras usadas no sentido errado).

A cartilha também dá peso à estrutura das frases. Para chegar aos 200 pontos, o Inep espera períodos bem construídos, com orações subordinadas e intercaladas, e aceita desvios apenas como exceção, sem repetição. Os dois problemas mais citados são o truncamento e a justaposição.

Truncamento é quando um ponto final separa ideias que deveriam ficar na mesma frase. Exemplo: “Muitos idosos vivem isolados. Porque as cidades não oferecem espaços de convivência.” A versão corrigida junta as orações: “Muitos idosos vivem isolados, porque as cidades não oferecem espaços de convivência.”

Justaposição é o contrário: uma vírgula ocupa o lugar do ponto final. Exemplo: “O Brasil está envelhecendo, o país precisa se preparar.” A versão corrigida separa as frases e liga as ideias: “O Brasil está envelhecendo. Por isso, o país precisa se preparar.”

4. Competência 2: cuidado com o repertório de bolso

Esta é a mensagem mais forte da cartilha da redação do Enem 2026. Pela segunda edição seguida, o Inep alerta contra o chamado repertório de bolso: aquela referência decorada, usada de forma genérica em qualquer tema, sem ligação real com a proposta. Quando ela aparece de forma forçada, pode ser avaliada como improdutiva e baixar a nota da Competência 2.

Os exemplos da cartilha foram criados a partir do tema do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.

Em um deles, a introdução cita A República, de Platão, e a ideia de sociedade ideal, sem explicar o que isso tem a ver com os idosos.

Em outro, o desenvolvimento cita Aristóteles e o homem como animal político e, logo depois, só afirma que o envelhecimento precisa ser discutido.

Repare no detalhe: a própria cartilha reconhece que a citação de Aristóteles é válida. O que derruba a nota é a falta de conexão com o tema. Por isso, o Profinho recomenda o teste da remoção: apague o repertório e releia o parágrafo. Se o sentido continua igual, a referência estava só enfeitando o texto.

A cartilha também mostra repertórios produtivos. A Constituição Federal de 1988 aparece ligada ao dever do Estado de proteger a população idosa. O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, serve para criticar uma sociedade que valoriza as pessoas pela utilidade. E o filme A Substância, citado em uma redação real do Enem 2025, ajuda a discutir a pressão estética contra o envelhecimento.

As 10 redações comentadas no fim da cartilha confirmam essa variedade. Os estudantes usaram os filmes Vitória, Up: Altas Aventuras e O Agente Secreto, os livros O Karaíba, de Daniel Munduruku, e As Intermitências da Morte, de José Saramago, a peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, o conceito de transição demográfica e as leis trabalhistas da Era Vargas. A seção final, Leia mais, seja mais, reforça que ler notícias, livros e artigos é o caminho para montar esse repertório. Veja como escolher o seu no guia de repertório para redação.

A Competência 2 também cobra o recorte do tema. No Enem 2025, tangenciou o tema quem falou de envelhecimento só como processo biológico ou só em outros países, sem olhar para a sociedade brasileira. O tangenciamento limita a nota a 40 pontos na Competência 2 e também derruba as Competências 3 e 5.

5. Competência 3: projeto de texto e autoria

A Competência 3 avalia como você seleciona, organiza e desenvolve as ideias. A cartilha chama isso de projeto de texto, que é o planejamento feito antes de escrever. O corretor percebe esse projeto quando cada parágrafo tem uma função clara e as ideias avançam sem saltos.

Um detalhe da tabela de níveis ajuda muito: a redação de 200 pontos apresenta ideias “configurando autoria”, enquanto a de 120 pontos fica limitada aos argumentos dos textos motivadores. Em outras palavras, repetir o que a coletânea já disse segura a sua nota no meio da tabela.

Na prática, use o rascunho para montar o esqueleto. Para o tema de 2025, poderia ficar assim:

Para formular a primeira frase desse esqueleto, leia o nosso artigo sobre o que é tese e conheça os tipos de argumentos que você pode usar no desenvolvimento.

Esse planejamento é o coração do Guia da Redação Nota 1000, o livro do Profinho. Ele ensina a começar, desenvolver e concluir a redação com decisões simples, tomadas antes da primeira linha, que conversam direto com o que a cartilha pede na Competência 3.

6. Competência 4: conectivos com função

A Competência 4 avalia a coesão, isto é, as ligações entre frases e parágrafos. Entram aqui os operadores argumentativos, como “entretanto”, “por isso” e “portanto”, e a referenciação, que é a forma de retomar algo que já apareceu no texto usando pronomes, sinônimos ou expressões resumitivas.

Um exemplo de referenciação: depois de escrever “os idosos brasileiros”, você pode retomar a expressão com “essa parcela da população”, “esse grupo” ou simplesmente “eles”. Assim o texto avança sem repetir a mesma palavra em todas as linhas.

A cartilha faz um alerta importante: usar conectivos em excesso, só para parecer bem escrito, prejudica o texto. Cada conectivo precisa criar uma relação lógica real entre as ideias.

O documento também lembra que texto em um único parágrafo é falha grave de coesão. Para aprofundar, leia o nosso guia de coesão e coerência e a lista de conectivos de conclusão.

7. Competência 5: propor é diferente de constatar

Aqui está a principal novidade da cartilha de 2026. O Inep dedicou um trecho inteiro para explicar a diferença entre propor e constatar. Propor é indicar uma ação para mudar a realidade no futuro. Constatar é apenas registrar um fato que já existe.

Veja a diferença na prática:

A cartilha também pede cuidado com frases hipotéticas, como “se x for feito, o resultado poderá ser y”, porque elas deixam dúvida se você está mesmo propondo algo.

Para montar uma proposta completa, responda às seis perguntas da cartilha: qual é a solução, que ação deve ser feita, quem vai executar, como ela será feita, qual efeito pode alcançar e que detalhe pode ser acrescentado. Esses elementos formam a base do nosso artigo sobre proposta de intervenção.

Por fim, a proposta precisa respeitar os direitos humanos. Defesa de tortura, de “justiça com as próprias mãos” ou de discurso de ódio leva à nota zero na Competência 5. A cartilha cita princípios como dignidade humana, igualdade de direitos, laicidade do Estado e valorização da diversidade.

Perguntas frequentes sobre a cartilha da redação do Enem 2026

Onde baixar a cartilha da redação do Enem 2026?

A cartilha está disponível de graça na página oficial do Inep. No mesmo endereço, há versões com orientações específicas para participantes com dislexia, com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com surdez ou deficiência auditiva.

O que mudou na cartilha do Enem 2026?

A estrutura da prova e as cinco competências continuam iguais. As principais novidades são a explicação detalhada da diferença entre propor e constatar na Competência 5, o reforço do alerta contra o repertório de bolso e as redações comentadas do Enem 2025.

A cartilha traz redações nota 1000?

A cartilha traz 10 redações de estudantes das cinco regiões do país que tiveram boas notas no Enem 2025, com comentários do Inep. O documento não informa a nota exata de cada texto.

Quando é a prova de redação do Enem 2026?

A redação será aplicada em 8 de novembro de 2026, no primeiro dia do Enem, junto com as provas de Linguagens e Ciências Humanas. O segundo dia de provas acontece em 15 de novembro.

Ler a cartilha mostra o que o corretor procura. Para descobrir em que nível o seu texto está hoje, escreva uma redação sobre um tema no padrão do Enem e envie para a Plataforma SOFIA. Em poucos minutos, você recebe uma correção detalhada nas cinco competências e sabe exatamente quais critérios da cartilha precisa treinar até o dia da prova.