As competências da redação do ENEM são os cinco critérios usados pelos avaliadores, cada um valendo de 0 a 200 pontos. A soma dos cinco chega a 1000, e a nota final é a média entre os dois corretores.
Aqui você vê o que cada competência exige, o que derruba a nota em cada uma, o que separa a faixa de 160 da faixa de 200 pontos, o quadro de consulta rápida e as dúvidas mais comuns antes do ENEM 2026.
Como a redação do ENEM é avaliada?
Cada redação é lida por dois avaliadores independentes, que atribuem de 0 a 200 pontos a cada uma das cinco competências. A nota final do participante é a média aritmética das notas totais dos dois.
Quando há discrepância entre as notas, o texto vai para um terceiro avaliador. Por isso a nota reflete critérios objetivos, e não gosto pessoal de quem lê: cada competência tem descritores definidos na matriz oficial.
Nesta aula, o Profinho mostra como as cinco competências aparecem juntas em um texto que chega à nota máxima.
As 5 competências, uma a uma
A lista abaixo traz o que cada competência avalia, o erro que mais derruba a nota nela e o ajuste que costuma render mais pontos. Os dois últimos itens tratam do que atravessa todas as cinco.
1. Competência 1: domínio da norma culta
Avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa: ortografia, concordância, regência, crase, pontuação, colocação pronominal e escolha vocabular.
O que mais derruba: desvios repetidos do mesmo tipo. Uma crase errada em um texto correto pesa pouco, mas cinco erros de pontuação sinalizam desconhecimento da norma.
O que mais rende: escrever frases curtas. Períodos longos multiplicam as chances de erro de concordância e de vírgula, e não acrescentam sofisticação ao texto.
Vale lembrar que essa competência também avalia a escolha das palavras. Vocabulário informal, gírias e expressões da fala derrubam a nota tanto quanto um erro de grafia, porque o texto precisa manter a modalidade escrita formal do começo ao fim.
2. Competência 2: compreensão do tema e repertório
Avalia se você compreendeu a proposta, escreveu no tipo textual dissertativo-argumentativo e usou repertório sociocultural de forma produtiva.
O que mais derruba: fuga ao tema, que zera a redação, e o tangenciamento, quando o texto discute o assunto amplo em vez do recorte específico da proposta. Também pesa o repertório de bolso, a citação decorada sem relação com o tema.
O que mais rende: explicar a referência depois de citá-la. É a explicação que transforma repertório em prova, como detalhamos ao tratar de repertório sociocultural.
Essa competência também exige o tipo textual correto. Se o texto tiver predominância de narração ou de relato pessoal, a redação recebe zero mesmo abordando o tema de forma completa.
3. Competência 3: projeto de texto
Avalia se você selecionou, organizou e relacionou informações em defesa de um ponto de vista. É a competência da autoria e do planejamento do texto.
O que mais derruba: tese implícita, argumentos que não sustentam a tese e parágrafos que apenas listam consequências sem explicar causas.
O que mais rende: deixar a tese explícita no fim da introdução e conferir, ao final, se cada parágrafo defende exatamente aquilo que foi afirmado ali.
É nessa competência que aparece a autoria, aquela marca de que o texto foi pensado por alguém e não montado com peças prontas. Ela nasce da explicação própria, da comparação bem construída e do modo como você conecta o repertório ao problema.
4. Competência 4: coesão
Avalia o uso dos mecanismos linguísticos que ligam as partes do texto: conectivos, pronomes, sinônimos e substituições lexicais.
O que mais derruba: repetição do mesmo conectivo, uso inadequado de “onde” para situações e o monobloco, que é o texto sem divisão nítida em parágrafos. Nesse último caso, a competência fica limitada a 80 pontos.
O que mais rende: usar elementos coesivos dentro dos parágrafos, e não apenas entre eles. Essa é a diferença mais frequente entre as faixas de 160 e 200 pontos.
5. Competência 5: proposta de intervenção
Avalia a solução apresentada na conclusão, que precisa ter agente, ação, meio, efeito e detalhamento, além de respeitar os direitos humanos.
O que mais derruba: proposta genérica, do tipo “o governo deve conscientizar a população”, e ausência de detalhamento. Proposta que viole direitos humanos zera a competência.
O que mais rende: nomear o agente com precisão e detalhar o meio. Nosso guia de proposta de intervenção destrincha os cinco elementos.
6. O que zera a redação inteira
Além das notas por competência, existem situações que anulam o texto: fuga ao tema, não atender ao tipo dissertativo-argumentativo, texto com até sete linhas, trecho deliberadamente desconectado do tema e identificação no espaço destinado ao texto.
Esses critérios independem da qualidade da escrita. Um texto excelente com o nome do candidato no corpo da redação recebe zero, e não há recurso possível.
7. O que separa 160 de 200 pontos
Em quase todas as competências, a diferença entre as duas faixas mais altas é a mesma: a faixa de 160 aceita poucas falhas, enquanto a de 200 exige ausência delas.
Na prática, o candidato que chega a 900 pontos costuma perder em detalhes recorrentes, como uma vírgula, um conectivo repetido ou um detalhamento incompleto. Por isso a evolução dos 800 aos 1000 vem de revisão fina, e não de mudança de método.
Isso muda a forma de estudar na reta final. Quem já domina a estrutura ganha mais relendo os próprios textos corrigidos, à caça dos erros que se repetem, do que aprendendo uma técnica nova a cada semana.
A matriz completa, com os descritores de cada faixa e redações comentadas, está detalhada no Guia da Redação Nota 1000.
Quadro resumitivo das 5 competências
Use o quadro para diagnosticar em qual competência está o seu gargalo.
| Competência | O que avalia | Erro que mais derruba |
| C1 | Norma culta e escolha vocabular | Desvios repetidos de pontuação e concordância |
| C2 | Compreensão do tema e repertório | Tangenciamento e repertório de bolso |
| C3 | Projeto de texto e autoria | Tese implícita e argumentos soltos |
| C4 | Coesão entre e dentro dos parágrafos | Repetição de conectivo e monobloco |
| C5 | Proposta de intervenção | Proposta genérica e falta de detalhamento |
Vale escolher uma competência por semana e treinar apenas ela, com textos completos. Até a prova de 8 de novembro de 2026, isso dá tempo de sobra para cobrir as cinco mais de uma vez.
Perguntas frequentes sobre as competências
A nota da redação entra na média do ENEM?
Entra, e com peso relevante em vários cursos, principalmente nos mais concorridos. Como cada instituição define os próprios pesos no Sisu, vale conferir o do curso que você pretende disputar.
Qual competência é mais difícil?
Depende do perfil. Quem escreve bem costuma travar na Competência 5, por falta de detalhamento, e quem argumenta bem costuma perder na Competência 1, por desvios de norma culta.
Dá para tirar 1000 com um erro de português?
A Competência 1 aceita desvios pontuais na faixa mais alta, então um erro isolado não impede a nota máxima. O que impede é o padrão de repetição do mesmo tipo de desvio.
As competências têm pesos diferentes?
Não. Todas valem até 200 pontos. Isso significa que a proposta de intervenção, escrita nas últimas linhas, vale o mesmo que todo o domínio da norma culta demonstrado no texto inteiro.
Como saber em qual competência estou perdendo pontos?
Só com correção que separe as notas. Nota única não mostra o gargalo, e sem saber onde está o problema você acaba treinando o que já domina.
As competências valem para redação de concurso?
Não diretamente. Cada banca tem o próprio espelho de correção, embora os critérios de norma culta e organização apareçam em praticamente todas, como explicamos na redação para concurso.
Por onde começar se a nota está baixa
Quem tira menos de 600 costuma ter problema de estrutura, e não de conteúdo. Nesse caso, o caminho mais rápido é fixar a arquitetura do texto: introdução com tese explícita, dois desenvolvimentos com repertório e conclusão com proposta completa. Isso sozinho move as Competências 3 e 5.
Entre 600 e 800, o gargalo costuma estar na Competência 2, com repertório improdutivo, ou na 4, com coesão apenas entre parágrafos. Já acima de 800, a diferença vem de detalhes de norma culta e de detalhamento da proposta.
Por isso não existe uma dica que sirva para todo mundo. Saber a sua nota por competência é o que transforma estudo genérico em estudo direcionado, e é a diferença entre treinar muito e evoluir.
Descubra sua nota por competência
Escolha um tema, escreva uma redação completa e envie para a Plataforma SOFIA. Em poucos minutos você recebe a nota nas cinco competências, com o comentário de cada uma.
Depois reescreva apenas o parágrafo da competência mais baixa e envie de novo. Comparar as duas devolutivas é o exercício que mais acelera a evolução, porque mostra o efeito exato de cada ajuste.
Para escolher a proposta de treino, use a lista de temas de redação.