Introdução é o parágrafo que abre um texto e apresenta ao leitor o assunto e o caminho que será percorrido. Quem procura o que é introdução geralmente está diante da folha em branco, sabendo o tema e sem saber como sair da primeira linha.
Na redação do ENEM, esse parágrafo tem função dupla. Ele contextualiza o tema e entrega a opinião que será defendida nos parágrafos seguintes, o que o torna a parte mais decisiva do texto.
O que é introdução?
Introdução é o primeiro parágrafo de um texto, responsável por apresentar o assunto e orientar a leitura do restante. Na redação dissertativo-argumentativa do ENEM, ela reúne três movimentos: contextualização do tema, tese e antecipação dos argumentos.
Nesta aula o Profinho mostra a construção da introdução na prática, com o planejamento feito antes da primeira linha.
7 elementos que toda introdução de redação precisa ter
A introdução ocupa de 5 a 7 linhas e carrega três movimentos obrigatórios, mais alguns cuidados que decidem a primeira impressão do corretor. Veja o que precisa estar ali, na ordem em que aparece no papel.
1. Contexto amplo do tema, na primeira frase
A primeira frase apresenta o tema de forma ampla, através de um repertório legitimado. No Método Profinho, esse movimento se chama abordagem temática e pode assumir sete formatos: alusão histórica, bibliográfica, ficcional, legislativa, testemunho autorizado, definição informativa ou dado estatístico.
Um exemplo de alusão histórica: “Durante a Revolução Francesa, o indivíduo passou a ser tratado sob a ótica iluminista, que valorizava, sobretudo, a dignidade humana”. O tema ainda não apareceu, e o leitor já está no terreno certo.
Um exemplo de alusão legislativa: “A Constituição Federal de 1988 garante a todos o direito ao acesso à cultura, ao lazer e à educação de qualidade”. Um de definição informativa: “Entende-se por sustentabilidade o uso consciente dos recursos naturais, de modo a preservá-los para as gerações futuras”.
Repare que nenhum deles cita o tema logo de cara. A abordagem existe para ampliar o assunto antes de estreitar na crítica, criando o movimento do geral para o específico que a banca espera. O artigo sobre como começar uma redação detalha cada um dos sete formatos com exemplo pronto.
Uma escolha prática: prefira o formato que você domina de verdade naquele tema. Abrir com dados sem lembrar a fonte e o ano enfraquece a primeira linha, que é a que mais pesa na impressão inicial.
Existem ainda as abordagens curinga, que funcionam para vários temas com pequenos ajustes. A Constituição de 1988 serve a quase todo problema de direito não efetivado. A Agenda 2030 da ONU cobre saúde, educação, meio ambiente e desigualdade. Conceitos amplos, como cidadania e dignidade humana, ligam-se a boa parte das propostas do exame. Mesmo assim, cada uma delas precisa passar pelo teste de aderência antes de entrar no papel.
2. Repertório com marca reconhecível
A banca reconhece repertório pelas marcas: data, nome próprio, título de obra, conceito, lei ou pesquisa com fonte. Escrever “como diz o ditado” ou “desde os primórdios da humanidade” ocupa linha e entrega zero conhecimento.
Compare. “Muita gente fala sobre exclusão digital” abre mal. “O Programa Nacional de Tecnologia Educacional, criado em 1997 pelo MEC, prometia equipar escolas públicas com laboratórios de informática” abre com autoridade, porque traz nome, ano e órgão.
As fontes possíveis são mais variadas do que a maioria imagina: leis e artigos da Constituição, programas de governo, pesquisas de institutos, conceitos de filosofia e sociologia, obras literárias, filmes, séries, games e até conteúdos das próprias matérias da escola. O que separa um repertório aceito de um recusado é a marca, e não a origem.
Uma novela pode valer tanto quanto um pensador clássico, desde que venha identificada. “Na produção ficcional A Dona do Pedaço, a personagem Josiane é o retrato de um indivíduo esvaziado de valores morais” funciona porque nomeia a obra e o que ela representa.
Repare que a marca não precisa ser uma data exata. Nomear o autor, a obra, o órgão responsável ou o conceito já basta para a banca entender que existe conhecimento por trás da frase. O que não funciona é a referência anônima, do tipo “um estudo mostrou” ou “um filme famoso retrata”.
3. Aderência real entre repertório e tema
O maior risco da introdução é o repertório de bolso, aquela citação decorada que o candidato encaixa em qualquer proposta sem conexão verdadeira com o tema. O Inep passou a tratar isso explicitamente na cartilha do participante, e a Competência 2 sente.
O teste da aderência resolve em segundos. Pergunte se o repertório tem sinônimo, antônimo, termo mais amplo ou mais específico ligado à expressão-chave do tema, ou se ele já faz parte do debate histórico daquele assunto. Se nada disso acontece, troque o repertório.
Um exemplo ajuda a enxergar os níveis. Em um tema sobre cinema, falar da criação do primeiro estúdio na Califórnia, em 1911, é muito pertinente, porque é a história do próprio objeto. Falar do acesso à cultura garantido pela Constituição de 1988 continua pertinente, porque cinema é bem cultural, ou seja, um termo mais amplo. Falar de preconceito, porém, exige tanta ginástica de ligação que o corretor sente o encaixe forçado.
Há ainda um segundo critério, menos lembrado: o repertório precisa ser retomado depois de apresentado, nem que seja pelo sobrenome do autor ou pelo nome do programa citado. Essa retomada é o que a banca chama de uso produtivo, e é ela que transforma uma citação decorativa em argumento.
4. Tese com juízo de valor
A tese é a crítica principal e ocupa a segunda parte da introdução. Ela precisa ser curta, ter verbo no presente, carregar pelo menos uma palavra de juízo de valor e ser ampla o suficiente para render dois parágrafos.
“O lixo eletrônico é tratado com negligência” cumpre os quatro critérios. “O lixo eletrônico é comum no Brasil” apenas constata um fato, e um texto que constata sem criticar fica preso na faixa intermediária de nota.
Antes de formular a tese, encontre o problema do tema. Quando a proposta traz a palavra “importância”, o problema costuma estar escondido, e a pergunta que o revela é sempre a mesma: por que a banca quer que eu escreva sobre isso? Em “A importância do lazer para a população brasileira”, a resposta aponta para a falta de acesso ao lazer, e é dessa falta que a crítica nasce.
Cuidado também com dois extremos. Teses propositivas, do tipo “o poder público poderia combater o controle de dados”, enfraquecem a posição, porque sugerem em vez de afirmar. Teses específicas demais, como “o controle de dados promove o consumismo”, fecham a argumentação logo no primeiro parágrafo e deixam o segundo desenvolvimento sem para onde ir.
Um atalho útil do Método Profinho é montar a tese a partir do direito ferido. Com o macete SO-CI-DI-VA-PLU, que lista os fundamentos da República, você identifica se o problema atinge a cidadania, a dignidade da pessoa humana ou os valores sociais do trabalho, e a crítica nasce dessa violação.
5. Antecipação dos dois argumentos
A antecipação fecha a introdução anunciando os dois argumentos que serão desenvolvidos. Ela funciona como índice do texto e é exatamente o que o corretor lê como projeto de texto na Competência 3.
Um exemplo: “Logo, para prevenir a hostilidade, há de se criar alternativas para valorizar a dignidade humana infantil, bem como combater o assédio moral dentro dos lares”. Os dois caminhos anunciados precisam aparecer na mesma ordem nos parágrafos seguintes, com as mesmas palavras-chave.
Para escolher esses dois argumentos antes de escrever, use a lista DEMOAI do Método Profinho: desigualdade, egoísmo, maldade humana, omissão do Estado, antigos pensamentos da sociedade e invisibilidade social. Em um tema sobre violência urbana, por exemplo, omissão do Estado e invisibilidade social conversam bem entre si e rendem dois parágrafos distintos.
Aplique o teste de independência antes de fechar a antecipação. Se os dois argumentos escolhidos acabam dizendo a mesma coisa com palavras diferentes, o segundo parágrafo vira repetição do primeiro. Pergunte-se se cada um sustentaria o texto sozinho.
Vale lembrar que a antecipação também organiza o seu próprio trabalho. Depois que ela está no papel, você já sabe o que escrever nas próximas 20 linhas, e o medo da folha em branco desaparece.
6. Coesão entre as três partes
Os três movimentos precisam se ligar com naturalidade. Expressões como “nesse contexto”, “diante disso” e “nesse sentido” fazem a costura entre abordagem, tese e antecipação, e alimentam a Competência 4.
O cuidado é com a repetição. Usar a mesma expressão para abrir todos os parágrafos empobrece o texto. A lista completa de conectivos para introdução traz alternativas para cada função.
Outro ponto de coesão interna passa despercebido: a tese precisa dialogar com o repertório da abertura, e não apenas vir depois dele. Quando o candidato cita uma obra e emenda uma crítica sem ligação, o parágrafo parece dois textos colados. Expressões como “fora das telas”, “na realidade brasileira” e “distante desse ideal” fazem essa ponte com naturalidade.
Há um recurso de transição que rende bem: usar a oposição entre o que a referência promete e o que o Brasil entrega. Se a abordagem citou uma lei, a tese pode começar por “no entanto, a norma não se traduz em prática”, ligando os dois movimentos em uma frase só.
7. Uma frase bem construída para causar boa impressão
Existe um recurso simples que valoriza a abertura: deslocar a expressão mais importante para o fim da frase, depois de dois-pontos. A técnica dá ênfase ao que interessa e soa mais elaborada.
Compare as duas versões. “Em 2015, a ONU desenvolveu a Agenda 2030, com o objetivo de universalizar o acesso à saúde” funciona. “Em 2015, a ONU desenvolveu uma das políticas públicas mais relevantes da história recente: a Agenda 2030, cujo objetivo seria universalizar o acesso à saúde” impressiona mais, com o mesmo conteúdo.
Cuide também do que fica de fora. Pergunta retórica, primeira pessoa, gíria e expressões de senso comum comprometem a formalidade logo na linha de abertura, que é a primeira coisa que o corretor lê.
Um último ajuste de acabamento é o tamanho dos períodos. Frases de até três linhas mantêm o controle da sintaxe e reduzem o risco de erro de concordância e de vírgula, que pesam na Competência 1 justamente onde a atenção do leitor está no máximo.
Esse conjunto de decisões está sistematizado no Guia da Redação Nota 1000, em que o Profinho detalha os três passos da introdução com exemplos comentados.
Quadro resumitivo: as partes da introdução
| Parte | Função | Extensão média | O que evita |
|---|---|---|---|
| Abordagem temática | Contextualizar o tema com repertório | 2 a 3 linhas | Abertura genérica e senso comum |
| Tese | Apresentar a crítica principal | 1 a 2 linhas | Texto que constata sem opinar |
| Antecipação argumentativa | Anunciar os dois argumentos | 2 linhas | Desenvolvimento sem projeto de texto |
Perguntas frequentes sobre introdução
Quantas linhas deve ter a introdução da redação do ENEM?
De 5 a 7 linhas é a faixa mais equilibrada, porque deixa espaço para os dois parágrafos de desenvolvimento dentro do limite de 30 linhas. Introduções com mais de 8 linhas costumam comprimir a argumentação.
O que é introdução, desenvolvimento e conclusão?
São as três partes de qualquer texto dissertativo. A introdução apresenta o tema e a tese, o desenvolvimento sustenta a tese com argumentos e repertório, e a conclusão retoma o percurso e, no ENEM, apresenta a proposta de intervenção.
Posso usar introdução pronta para qualquer tema?
Modelos de abertura ajudam no treino, desde que você troque o repertório conforme o tema. Frases genéricas repetidas sem adaptação viram repertório de bolso e derrubam a Competência 2, porque não dialogam com a proposta.
O que não pode aparecer na introdução?
Fique longe de pergunta retórica, primeira pessoa, expressões de senso comum como “desde os primórdios” e cópia de trechos dos textos motivadores. Todos comprometem a formalidade ou a originalidade esperadas pela banca.
Preciso citar o tema literalmente na introdução?
Não é obrigatório repetir a frase da proposta, mas a expressão-chave precisa aparecer de alguma forma, para que fique claro que você compreendeu o recorte. Parafrasear o tema com palavras próprias funciona bem e evita a impressão de cópia.
Dá para escrever a introdução por último?
Alguns candidatos preferem escrever os desenvolvimentos primeiro e fechar a introdução depois, o que é possível no rascunho. Na folha oficial, porém, a ordem precisa ser a convencional, e planejar a tese antes de tudo continua sendo o caminho mais rápido.
Escreva e veja onde sua introdução perde ponto
Saber o que entra na introdução é diferente de acertar a mão na hora da prova. Na Plataforma SOFIA você envia sua redação e recebe a nota por competência com o apontamento do que faltou em cada parte do primeiro parágrafo, da aderência do repertório à clareza da tese.