A redação FGV costuma concentrar a maior parte dos pontos na estrutura textual e na progressão das ideias, deixando a parcela menor para a correção gramatical. Cebraspe e FCC trabalham com espelhos próprios, e cada um exige um tipo de texto diferente.

Aqui você vê como as três principais bancas cobram a prova discursiva, o que muda de uma para outra, a estrutura que funciona em todas e o que conferir no edital antes de começar a treinar.

Por que a banca muda a forma de escrever?

Diferente do ENEM, que tem matriz única e pública, cada banca de concurso define os próprios critérios no edital e no espelho de correção. O tipo textual, o número de linhas e o peso de cada item mudam de certame para certame.

Isso significa que treinar redação de concurso sem olhar o espelho da banca é treinar às cegas. O primeiro passo do estudo é baixar uma prova anterior da organizadora e ler como ela distribuiu os pontos.

Nesta aula, o Profinho monta uma redação no padrão exigido em prova de concurso.

7 pontos que mudam de banca para banca

Os itens abaixo são os que mais variam entre as organizadoras. Confira cada um no edital do seu concurso antes de definir a estrutura que vai treinar.

1. O peso do conteúdo na FGV

A FGV costuma dividir a nota entre estrutura textual global, que inclui abordagem do tema e progressão textual, e correção gramatical. A maior parte dos pontos fica na primeira parte.

Consequência prática: na FGV, conteúdo pesa mais que forma. Um texto gramaticalmente impecável e raso no argumento costuma pontuar menos que um texto denso com deslizes pontuais.

2. O comando com perguntas da FGV

A banca costuma construir a proposta em torno de perguntas explícitas, pedindo análise do problema, causas, reflexos e soluções. Cada pergunta do comando precisa ser respondida no texto.

Consequência prática: sublinhe os verbos do comando antes de escrever e transforme cada um em um parágrafo. Deixar uma pergunta sem resposta custa pontos mesmo em um texto bem escrito.

3. A objetividade do Cebraspe

O Cebraspe trabalha com formatos variados, incluindo redação dissertativa, parecer e questões discursivas isoladas, e costuma apresentar um padrão de resposta esperado, mais fechado.

Consequência prática: nessa banca, resposta genérica rende pouco. O texto precisa entregar exatamente o conteúdo previsto no padrão, com clareza e sem rodeios.

4. O desconto por erro no Cebraspe

A banca é conhecida por aplicar fórmulas que descontam pontos por erro em relação ao total de linhas escritas, o que penaliza texto longo e cheio de deslizes.

Consequência prática: escreva o suficiente para responder ao comando e pare. Linha a mais, nessa banca, é oportunidade a mais de perder ponto.

Esse é o ponto que mais surpreende quem vem do ENEM, onde ocupar a folha inteira costuma ajudar. Em concurso, texto enxuto e correto pode valer mais que texto extenso e irregular.

5. O recorte temático da FCC

A FCC costuma partir de atualidades para discutir dilemas sociais e éticos, e cobra que o candidato identifique o recorte específico da proposta, e não o assunto amplo.

Consequência prática: reserve dois minutos para delimitar o recorte antes de escrever. Discutir o tema geral quando a banca pediu um aspecto específico é o erro que mais derruba nota nessa organizadora.

6. O número de linhas e a folha

Cada banca define o próprio limite, que costuma ficar entre 20 e 30 linhas, e todas exigem transcrição para a folha definitiva. Texto escrito fora do espaço apropriado não é avaliado.

Consequência prática: treine sempre no número de linhas do seu edital. Quem treina em 30 e faz prova de 20 chega ao dia sem conseguir cortar.

7. A identificação na folha

Aqui há uma diferença importante em relação ao ENEM. Algumas bancas pedem identificação em local específico da folha definitiva, e outras proíbem qualquer marca.

Consequência prática: leia as instruções da folha no dia da prova, sem presumir que a regra é a mesma do ENEM. Essa confusão anula textos todo ano.

Vale reservar um minuto, antes de começar a escrever, só para ler as instruções da folha definitiva. É o minuto mais barato da prova inteira.

Antes de tudo, leia o edital

Três informações do edital definem o seu treino inteiro: o tipo de texto exigido, o número de linhas e o peso da discursiva na nota final. Sem elas, qualquer plano de estudo é chute.

Some a isso duas provas anteriores da mesma banca, com os respectivos espelhos de correção, e você tem um retrato bem mais confiável do que qualquer resumo sobre o perfil da organizadora, inclusive este.

A estrutura que funciona em qualquer banca

Apesar das diferenças, existe um núcleo comum. Todas as bancas esperam texto dissertativo-argumentativo com introdução que apresenta o tema e a tese, desenvolvimento que sustenta o posicionamento com argumentos e conclusão que fecha o raciocínio.

O que muda é a moldura. Na redação de concurso, a contextualização costuma ser mais curta que no ENEM, o repertório literário rende menos que o técnico e a proposta de intervenção nem sempre é exigida. Argumentos de princípio e de evidência, baseados em lei e em dados, são os que mais funcionam.

A base dessa estrutura é a mesma do texto dissertativo-argumentativo, e o passo a passo completo está no Guia da Redação Nota 1000. Nosso guia geral de redação para concurso traz o panorama antes da escolha da banca.

Quadro resumitivo das bancas

Use o quadro como ponto de partida e confirme tudo no edital do seu concurso.

BancaPerfil da provaO que priorizar no treino
FGVComando com perguntas, peso maior no conteúdoResponder cada pergunta e aprofundar o argumento
CebraspeFormatos variados e padrão de resposta esperadoObjetividade e precisão técnica, sem rodeios
FCCAtualidades com recorte temático específicoDelimitar o recorte antes de escrever
OutrasEspelho próprio definido em editalLer prova anterior e mapear a distribuição de pontos

Vale lembrar que espelhos mudam de um concurso para outro dentro da mesma banca. O quadro acima descreve tendências observadas em provas recentes, e não regra fixa: a fonte definitiva é sempre o edital do seu certame.

Perguntas frequentes sobre redação por banca

Preciso escrever com letra bonita?

Bonita não, legível sim. Texto que o avaliador não consegue ler pode não ser avaliado, e isso vale tanto para concurso quanto para o ENEM.

Preciso de proposta de intervenção em concurso?

Só quando o comando pede. Muitas bancas não exigem solução, e apresentar uma proposta não solicitada consome linhas que fariam falta na argumentação.

Posso usar repertório sociocultural em concurso?

Pode, com moderação e preferência pelo repertório técnico. Legislação, dados oficiais e princípios da administração pública rendem mais que citações filosóficas.

Qual banca tem a redação mais difícil?

Não existe resposta única. O Cebraspe costuma ser considerado mais rigoroso pela objetividade exigida, e a FGV pela densidade de conteúdo, mas o que pesa mesmo é a sua familiaridade com o formato.

Vale a pena estudar redação antes do edital?

Vale, e é o melhor uso do tempo de quem ainda não escolheu o concurso. A base é comum a todas as bancas, e o ajuste de formato leva poucas semanas quando a estrutura já está automatizada.

Onde encontro o espelho de correção da minha banca?

Nos concursos anteriores da própria organizadora, geralmente publicados junto com o resultado da prova discursiva. Ler dois espelhos antigos vale mais que qualquer resumo sobre a banca.

A redação de concurso pode ser eliminatória?

Na maioria dos certames, sim. A discursiva costuma ter nota mínima para aprovação, o que significa que um bom desempenho na objetiva não compensa um texto abaixo do corte.

Dá para treinar para várias bancas ao mesmo tempo?

Dá, treinando o núcleo comum: tese clara, argumentos com prova e progressão organizada. O ajuste fino de formato fica para depois da publicação do edital.

O erro que atravessa todas as bancas

Independentemente da organizadora, o erro mais caro é não responder ao comando. O candidato escreve um bom texto sobre o assunto geral e deixa de tratar o recorte pedido, ou responde a duas das três perguntas formuladas na proposta.

A prevenção é mecânica: antes de escrever, transforme cada verbo do comando em um item de uma lista e, ao revisar, marque um a um. Espelho de correção é lista de verificação, e o seu texto precisa marcar todos os pontos dela.

Treine no formato da sua banca

Baixe uma prova discursiva anterior da organizadora do seu concurso, escreva no número de linhas exigido e no tempo real da prova. Depois compare o seu texto com o padrão de resposta divulgado.

Se quiser uma devolutiva estruturada enquanto treina a base, envie o texto para a Plataforma SOFIA e confira o feedback nos critérios de norma culta, coesão e organização, que valem para qualquer banca.

E mantenha o hábito mesmo antes de sair o edital. Quem chega à publicação já escrevendo com regularidade só precisa ajustar o formato, enquanto quem começa do zero disputa a vaga aprendendo a estrutura e o conteúdo ao mesmo tempo.