Competência 5 do ENEM é a parte da correção que avalia a proposta de intervenção, ou seja, a solução que você apresenta para o problema discutido na redação. Ela vale até 200 pontos e exige uma proposta ligada ao tema, articulada com os argumentos e que respeite os direitos humanos.
É a competência em que muitos alunos perdem pontos no fim da prova, com pressa e cansaço. A boa notícia é que ela tem critérios bem definidos. Neste artigo, você vai ver os sete pontos que a banca observa e como montar uma proposta completa sem gastar muitas linhas.
O que é a Competência 5 do ENEM?
A Competência 5 avalia a proposta de intervenção: uma solução detalhada para o problema do tema, ligada à discussão do texto e respeitosa aos direitos humanos. Para o Profinho, ela é a competência mais objetiva da redação, porque segue uma estrutura que pode ser treinada até virar hábito.
Na cartilha, o nível máximo descreve uma proposta muito bem elaborada, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. Nos níveis mais baixos, a proposta é vaga, precária ou aparece apenas ligada ao assunto geral.
A proposta costuma ficar no último parágrafo, mas pode começar a aparecer ao longo do desenvolvimento. O que importa é que ela exista, seja clara e responda aos problemas que você apontou. Para uma visão geral do conceito, veja o artigo sobre proposta de intervenção.
7 pontos avaliados na Competência 5 do ENEM
Os pontos abaixo explicam o que o corretor procura na proposta, do básico, que é ter uma proposta, até o nível máximo, que é uma proposta completa e detalhada.
1. Ter uma proposta de intervenção
O primeiro ponto parece óbvio, mas pesa muito: o texto precisa propor uma solução. Uma conclusão que só resume o problema ou faz uma reflexão final, sem dizer o que deve ser feito, fica com nota 0 na Competência 5.
Frases como “é preciso refletir sobre o tema” ou “a sociedade deve mudar” ficam vagas demais, porque não dizem quem age nem o que fazer. A proposta começa quando você indica quem deve agir e qual ação deve ser feita.
Muitos alunos deixam a conclusão para os últimos minutos e acabam escrevendo só uma frase de fechamento. Para evitar isso, planeje a proposta no rascunho logo depois da tese. Assim, mesmo com o tempo apertado, você já sabe exatamente o que escrever no último parágrafo.
2. Relação com o tema
A proposta precisa resolver exatamente o problema do tema. Se o tema fala das perspectivas sobre o envelhecimento na sociedade brasileira, a proposta deve tratar da forma como a sociedade enxerga e acolhe a pessoa idosa.
Quando o texto tangencia o tema, a proposta costuma tangenciar junto, e a nota da Competência 5 também cai. Por isso, a checagem do recorte vale para a conclusão tanto quanto para a introdução.
Uma forma simples de garantir essa relação é repetir na proposta uma ou duas palavras-chave do tema. Se o tema fala de envelhecimento, a ação precisa citar a pessoa idosa ou o envelhecimento de forma direta.
3. Articulação com a discussão do texto
A melhor proposta é aquela que ataca as causas que você discutiu no desenvolvimento. Se o primeiro argumento falou da falta de políticas públicas e o segundo da desinformação, a proposta pode trazer uma ação para cada um.
Essa ligação mostra ao corretor que o texto foi pensado do começo ao fim. Uma proposta solta, que poderia estar em qualquer redação, perde força mesmo quando está bem escrita.
Um teste útil é ler o desenvolvimento e depois a proposta. Se você conseguir apontar qual ação responde a qual problema, a articulação está clara. Se a proposta fala de algo que não apareceu antes, ela precisa ser ajustada.
4. Os cinco elementos da proposta
A estrutura mais usada para montar uma proposta completa tem cinco elementos:
- Agente: quem vai agir (governo, escola, mídia, ONGs, família).
- Ação: o que deve ser feito.
- Meio ou modo: como a ação será feita.
- Efeito ou finalidade: para que a ação serve.
- Detalhamento: uma informação a mais sobre um dos elementos.
Na prática da correção, quanto mais elementos válidos e bem articulados, maior o nível. Uma proposta com os cinco elementos, ligada ao tema e à discussão, chega ao nível máximo.
Na escolha do agente, prefira instituições específicas, como Ministério da Educação, escolas, mídia ou organizações da sociedade civil. Agentes vagos, como “todos” ou “as pessoas”, deixam a proposta menos concreta e mais difícil de executar.
Para ver como o Profinho constrói uma proposta completa dentro de uma redação de alto nível, assista à aula em que ele mostra como tirar 1000 na redação do ENEM.
5. Detalhamento válido
O detalhamento é o elemento que mais falta nas propostas. Ele acrescenta uma informação sobre o agente, a ação, o meio ou o efeito. Pode ser uma explicação, um exemplo ou uma característica.
Proposta com os cinco elementos
“Portanto, cabe ao Ministério da Saúde (agente), órgão responsável pelas políticas de cuidado da população (detalhamento do agente), criar programas de convivência para pessoas idosas (ação) por meio de parcerias com as unidades básicas de saúde (meio), a fim de reduzir o isolamento dessa população (efeito).”
Um detalhamento válido traz informação nova. Repetir com outras palavras o que já foi dito não conta como detalhamento.
O detalhamento pode estar em qualquer um dos outros quatro elementos. Você pode explicar quem é o agente, dar um exemplo da ação, descrever melhor o meio ou mostrar uma consequência do efeito. O importante é que ele acrescente informação.
6. Respeito aos direitos humanos
A proposta precisa respeitar os direitos humanos. Pela cartilha 2026, uma proposta que desrespeita esses direitos recebe nota 0 na Competência 5. O resto da redação continua sendo corrigido normalmente.
Propostas que defendem violência, punições cruéis, exclusão de grupos ou qualquer tipo de discriminação ferem os direitos humanos. O caminho seguro é propor ações de educação, políticas públicas, fiscalização e acesso a direitos.
Os direitos humanos incluem, entre outros, o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à educação e à saúde. Uma proposta que limita esses direitos de algum grupo, mesmo com boa intenção, corre risco de nota 0 nessa competência.
Erro comum
Propor “pena de morte” ou “castração química” em temas sobre violência.
Como evitar: troque por ações que ampliem a proteção das vítimas e a prevenção, como campanhas educativas, delegacias especializadas e acompanhamento psicológico.
7. Clareza e precisão da proposta
Por último, a proposta precisa ser clara. Ações genéricas, como “conscientizar a população”, ficam vagas quando aparecem sozinhas. Diga como a conscientização será feita, por quem e com qual objetivo.
Compare duas versões. Vaga: “É preciso conscientizar a população sobre o envelhecimento”. Precisa: “Cabe à mídia, por meio de campanhas em horário nobre, divulgar os direitos garantidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa, a fim de combater o preconceito contra essa população”. A segunda deixa claro quem age, como e para quê.
Um modelo que ajuda é escrever a proposta em um único período longo e bem organizado, como no exemplo acima, ou em dois períodos, cada um com uma ação ligada a um argumento. O artigo sobre conclusão de redação mostra como encaixar a proposta no último parágrafo.
Revise a proposta como um checklist antes de passar a limpo: tem agente, ação, meio, efeito e detalhamento? Está ligada ao tema? Responde aos argumentos? Respeita os direitos humanos? Quatro respostas positivas indicam que a Competência 5 está protegida.
O livro Guia da Redação Nota 1000 traz o passo a passo da proposta de intervenção com exemplos, o que ajuda a transformar a Competência 5 em uma das mais seguras do texto.
Quadro resumitivo da Competência 5
| Ponto avaliado | O que a banca quer | Como garantir |
|---|---|---|
| Existência da proposta | Uma solução concreta | Dizer quem age e o que faz |
| Relação com o tema | Proposta para o recorte pedido | Usar as palavras-chave do tema |
| Articulação | Proposta ligada aos argumentos | Uma ação para cada causa discutida |
| Cinco elementos | Agente, ação, meio, efeito e detalhamento | Checar os cinco no rascunho |
| Detalhamento | Informação nova sobre um elemento | Explicar o agente, a ação ou o meio |
| Direitos humanos | Proposta respeitosa | Educação, políticas públicas e acesso a direitos |
| Clareza | Ação específica, sem generalidades | Dizer como, por quem e para quê |
Perguntas frequentes sobre a Competência 5 do ENEM
Quantos elementos a proposta precisa ter para tirar 200?
A estrutura mais segura usa os cinco elementos: agente, ação, meio, efeito e detalhamento, todos ligados ao tema e à discussão do texto.
Desrespeitar os direitos humanos zera a redação?
Não zera a redação inteira. Pela cartilha 2026, a proposta que desrespeita os direitos humanos recebe nota 0 apenas na Competência 5.
Posso fazer duas propostas de intervenção?
Pode. Muitos textos bem avaliados trazem duas ações, uma para cada argumento, e pelo menos uma delas completa com os cinco elementos.
A proposta precisa estar só na conclusão?
A proposta costuma ficar na conclusão, mas pode aparecer em outros pontos do texto. O mais comum e seguro é concentrá-la no último parágrafo.
Quer saber se a sua proposta de intervenção está completa? Escreva uma redação e receba a avaliação da Competência 5, com cada elemento analisado, na Plataforma SOFIA.