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Questão 63 — ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Ainda que a fome ocorrida na Itália em 536 tenha origem nos eventos climáticos, suas implicações são tanto políticas quanto econômicas. Nos primeiros séculos da Idade Média, o auxílio aos famintos se inscreve no domínio da gestão pública, mesmo quando a ação de seus agentes é apresentada sob o ângulo da piedade e da caridade individuais, como é o caso da Gália merovíngia. Assim, o fato de que as respostas à fome são mostradas, na Gália, como o fruto de iniciativas pessoais fundadas no imperativo da caridade deriva da natureza das fontes do século VI.
SILVA, M. C. Os agentes públicos e a fome nos primeiros séculos da Idade Média. Varia Historia, n. 60, set.-dez. 2016 (adaptado).
Questão 63
Na conjuntura histórica destacada no texto, o dever de agir em face da situação de crise apresentada pertencia à jurisdição
Alternativas
Ver Gabarito
Gabarito oficial: B
Gabarito letra B. O dever de assistência se relaciona à realeza e à concepção de governo da monarquia cristã. Na prova, acompanhe a ressalva feita pelo autor: a maneira como a fonte elogia um indivíduo não deve ser confundida com a explicação completa da responsabilidade política por sua atuação.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: História medieval: autoridade pública e assistência à fome.
- Prova: Enem 2022, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 63, caderno 1 azul, página 25.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
A pergunta pede a jurisdição responsável por agir diante da crise de fome. Vamos prestar atenção à distinção que o historiador constrói: uma coisa é a responsabilidade de governo; outra é a forma como as fontes apresentam a ação de seus agentes. O texto adverte que o destaque à caridade individual não elimina o caráter público do dever de assistência.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
A autoridade governamental nas monarquias cristãs da Alta Idade Média envolvia obrigações de proteção e de preservação da comunidade. O exercício dessas funções podia mobilizar referências religiosas e diferentes agentes. Isso não autoriza imaginar uma separação moderna entre religião e poder. Na passagem, a assistência à fome pertence à gestão pública, mesmo quando o relato valoriza a piedade pessoal de quem atua.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- O historiador afirma expressamente que o auxílio aos famintos se inscreve no domínio da gestão pública. Essa indicação deve orientar a identificação da responsabilidade, em vez de ser substituída por uma associação genérica entre caridade e Igreja.
- A expressão mesmo quando introduz uma ressalva: a ação de um agente público pode ser narrada como piedade individual. O modo de contar o acontecimento não altera automaticamente a competência governamental.
- A conclusão atribui a ênfase nas iniciativas pessoais à natureza das fontes do século VI. O texto, portanto, propõe uma leitura crítica dos registros, distinguindo sua linguagem e a organização política subjacente.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Localize a afirmação principal
A passagem não conclui que a ajuda dependia exclusivamente da boa vontade privada. Ela destaca o domínio da gestão pública e depois explica por que alguns relatos dão maior visibilidade à caridade dos indivíduos.
2. Separe agente, motivação e jurisdição
Um religioso pode participar de uma ação e descrevê-la em termos de virtude cristã. Isso não basta para transferir toda a responsabilidade a uma instituição eclesiástica. O comando pede a autoridade à qual o dever de governo pertence.
3. Relacione o dever ao contexto da monarquia cristã
A opção correta deve contemplar a realeza e a concepção de governo indicada. Evite antecipar corporações urbanas ou reduzir a assistência à regra interna de mosteiros, pois essas estruturas não explicam a responsabilidade pública destacada.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) da nobreza, proveniente da obrigação de proteção ao campesinato livre.
A proteção senhorial ao campesinato livre não é a relação política focalizada. A alternativa desloca a responsabilidade para a nobreza como grupo e para um vínculo específico com os camponeses, enquanto o texto situa o auxílio no domínio da gestão pública.
B) da realeza, decorrente do conceito de governo subjacente à monarquia cristã.
A realeza corresponde à autoridade de governo cuja responsabilidade é interpretada no contexto da monarquia cristã. A alternativa distingue esse dever público da apresentação dos atos como iniciativas individuais de piedade e caridade.
C) dos mosteiros, resultante do caráter fraternal afirmado nas regras monásticas.
O fragmento não atribui o dever de enfrentar a crise às regras fraternais dos mosteiros. A assistência religiosa pode existir, mas não substitui a responsabilidade governamental que o historiador ressalta. A opção restringe indevidamente o alcance da ação.
D) dos bispados, consequente da participação dos clérigos nos assuntos comunitários.
A participação de clérigos nas comunidades não prova que a jurisdição da assistência pertencesse exclusivamente aos bispados. O texto justamente alerta para a diferença entre a valorização religiosa de um agente e o caráter público da responsabilidade por agir.
E) das corporações, procedente do padrão assistencialista previsto nas normas estatutárias.
As corporações e suas normas estatutárias não são apresentadas como fundamento da assistência nessa conjuntura. A alternativa acrescenta uma organização e uma competência que não sustentam a análise da crise alimentar na Alta Idade Média.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra B. O dever de assistência se relaciona à realeza e à concepção de governo da monarquia cristã. Na prova, acompanhe a ressalva feita pelo autor: a maneira como a fonte elogia um indivíduo não deve ser confundida com a explicação completa da responsabilidade política por sua atuação.
Erro comum: Marcar bispados apenas porque o texto menciona piedade e caridade, ignorando a afirmação explícita sobre a gestão pública.
Para a próxima questão: Em questões com fontes históricas, diferencie o acontecimento, a linguagem usada para narrá-lo e a interpretação proposta pelo historiador.
