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ENEM 20231º dia · 8 resoluções

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Ciências HumanasEnem 2023

Questão 90 — ENEM 2023Caderno azul · 1º Dia

Não tinha outra filosofia. Nem eu. Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim; embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as cousas a fraseologia, a casca, a ornamentação.

ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

Questão 90

A descrição crítica do personagem de Machado de Assis assemelha-se às características dos sofistas, contestados pelos filósofos gregos da Antiguidade, porque se mostra alinhada à

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Gabarito oficial: B

Gabarito letra B. A fraseologia guardada para a conversação aproxima o personagem do uso persuasivo do discurso, no recorte crítico indicado pelo comando. Leia a finalidade de uma prática antes de associá-la a uma escola ou conceito filosófico.

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📋 Ficha da questão

  • Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
  • Conteúdo: Filosofia antiga: sofistas, retórica e uso persuasivo do discurso.
  • Prova: Enem 2023, aplicação regular, 1º dia.
  • Identificação: questão 90, caderno 1 azul, página 31.

🔎 Passo 1 — Leia o comando

O comando pede uma aproximação entre o comportamento do personagem e características dos sofistas criticadas por filósofos gregos. Vamos observar o que ele faz com o conhecimento: memoriza fórmulas e expressões para empregá-las na conversação. A questão não exige classificar o romance inteiro nem supor que o personagem tenha estudado diretamente com filósofos da Antiguidade.

📚 Passo 2 — Revise o conceito

A retórica é a arte de organizar o discurso para produzir efeitos sobre um público, entre eles a persuasão. Os sofistas ensinavam recursos de argumentação importantes para a vida pública das cidades gregas. Filósofos como Platão criticaram usos da fala voltados a convencer sem compromisso com a investigação da verdade. É esse recorte crítico que o comando mobiliza; ele não autoriza reduzir toda a sofística a mentira ou ignorância.

🧭 Passo 3 — Encontre as pistas

  • O narrador diz ter decorado fórmulas, vocabulário e esqueleto. A enumeração apresenta a aquisição de estruturas exteriores, sem mostrar aprofundamento dos fundamentos do conhecimento.
  • Os versos e as locuções são guardados para as despesas da conversação. A finalidade explicitada é usar referências no contato com outras pessoas, produzindo uma aparência de repertório e autoridade.
  • A conclusão reúne fraseologia, casca e ornamentação. Essas palavras reforçam a valorização da superfície da linguagem e orientam a aproximação com o emprego persuasivo do discurso.

🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo

1. Identifique a finalidade do aprendizado narrado

Pergunte para que o personagem seleciona versos e expressões. Ele próprio responde: para utilizá-los na conversa. O conhecimento vira um recurso de apresentação social. Essa finalidade é diferente de investigar conceitos com rigor, mesmo que o vocabulário empregado venha da filosofia, da história ou do direito.

2. Relacione a pista ao conceito filosófico solicitado

O comando recorta a crítica dirigida aos sofistas. A ponte está no poder da fala: expressões bem escolhidas podem causar uma impressão favorável e convencer um interlocutor. Não é a simples presença de palavras gregas que decide a questão, mas a função atribuída ao discurso no trecho.

3. Confira se a alternativa preserva essa função

Vamos comparar as ações propostas: elaborar conceitos, persuadir, narrar poemas, investigar a natureza e representar por imagens são práticas diferentes. A descrição de Brás Cubas destaca o uso de referências para efeitos de conversação. A resposta precisa manter esse emprego social da linguagem, sem trocar o objeto analisado.

✅ Passo 5 — Analise as alternativas

A) elaboração conceitual de entendimentos.

A elaboração conceitual de entendimentos exigiria trabalhar os significados e fundamentos das ideias. O personagem admite ter recolhido a casca e a ornamentação. A alternativa atribui ao seu aprendizado uma profundidade que o próprio relato irônico põe em dúvida.

B) utilização persuasiva do discurso.

A utilização persuasiva do discurso corresponde à seleção de fórmulas e referências para causar efeitos na conversação. No recorte da crítica aos sofistas, a fala pode buscar convencimento e prestígio sem equivaler à investigação da verdade. É essa aproximação que o texto sustenta.

C) narração alegórica dos rapsodos.

Os rapsodos estavam ligados à recitação de composições épicas. A presença de versos latinos não transforma a passagem numa descrição dessa prática. O personagem menciona trechos memorizados como recursos de conversa, e não uma atuação de narrador ou recitador de epopeias.

D) investigação empírica da physis.

A investigação da physis se volta à natureza e aos seus princípios. A passagem trata da formação e da exibição verbal do personagem, sem investigação empírica de fenômenos naturais. A opção desloca tanto o objeto filosófico quanto a atitude diante do conhecimento.

E) expressão pictográfica da pólis.

A pólis é a cidade na experiência política grega, mas a alternativa fala em expressão pictográfica. O texto trabalha com palavras, versos e locuções utilizados na conversa. Não apresenta uma representação visual da cidade nem a produção de imagens como prática do personagem.

🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova

Gabarito letra B. A fraseologia guardada para a conversação aproxima o personagem do uso persuasivo do discurso, no recorte crítico indicado pelo comando. Leia a finalidade de uma prática antes de associá-la a uma escola ou conceito filosófico.

Erro comum: Marcar elaboração conceitual apenas porque o narrador cita a universidade e a filosofia.

Para a próxima questão: Não basta saber de onde vem o vocabulário: veja para que o personagem o utiliza.

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