Mapa de questões · 1º dia
Questão 50 — ENEM 2023Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Superar a história da escravidão como principal marca da trajetória do negro no país tem sido uma tônica daqueles que se dedicam a pesquisar as heranças de origem afro à cultura brasileira. A esse esforço de reconstrução da própria história do país, alia-se agora a criação da plataforma digital Ancestralidades. “A história do negro no Brasil vai continuar sendo contada, e cada passo que a gente dá para trás é um passo que a gente avança”, diz Márcio Black, idealizador da plataforma, sobre o estudo de figuras ainda encobertas pela perspectiva histórica imposta pelos colonizadores da América.
FIORATI, G. Projeto joga luz sobre negros e revê perspectiva histórica. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).
Questão 50
Em relação ao conhecimento sobre a formação cultural brasileira, iniciativas como a descrita no texto favorecem o(a)
Alternativas
Ver Gabarito
Gabarito oficial: E
Gabarito letra E. A iniciativa favorece a crítica ao eurocentrismo. Em questões de história e memória, observe quem ganha visibilidade e qual perspectiva anterior é questionada: o conceito deve explicar essa mudança do olhar, sem inverter sua direção.
Continue com o Profinho
Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
Conhecer o curso ↗Resolução
📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: História e memória: crítica à perspectiva eurocêntrica.
- Prova: Enem 2023, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 50, caderno 1 azul, página 21.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pergunta o que a iniciativa favorece no conhecimento da formação cultural brasileira. Vamos observar o que ela procura superar e que personagens torna visíveis. O texto questiona uma história em que a trajetória negra fica marcada principalmente pela escravidão e por uma perspectiva imposta pelos colonizadores. A resposta deve reconhecer essa revisão do ponto de vista.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Eurocentrismo é uma perspectiva que toma experiências e referências europeias como centro privilegiado para interpretar o mundo e outras sociedades. No estudo da formação brasileira, criticá-lo envolve reconhecer sujeitos, saberes e contribuições apagados ou subordinados por essa centralidade. A iniciativa descrita não elimina a história da escravidão: procura evitar que ela seja a única marca das trajetórias negras e amplia o lugar de seus protagonistas.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- A abertura afirma a necessidade de superar a escravidão como principal marca da trajetória do negro no país. O objetivo é ampliar a compreensão histórica, e não negar a violência do passado.
- A plataforma é associada ao estudo de figuras ainda encobertas. Esse movimento torna visíveis sujeitos e heranças culturais que uma narrativa dominante não destacou adequadamente.
- A perspectiva histórica imposta pelos colonizadores é explicitamente mencionada. Esse recorte fornece a relação com a crítica à centralidade europeia na interpretação da formação cultural brasileira.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Identifique a narrativa que está sendo questionada
O texto aponta um enquadramento que reduz trajetórias negras à escravidão e mantém certas figuras na sombra. Reconhecer esse limite permite compreender a iniciativa como revisão da perspectiva de conhecimento, e não apenas como preservação de uma tradição já dominante.
2. Observe o sentido do resgate histórico
Pesquisar figuras encobertas amplia a participação de sujeitos negros na história do país. O retorno ao passado é apresentado como avanço na compreensão do presente. A questão não envolve colocar uma cultura acima de todas as outras, mas rever uma centralidade que produziu apagamentos.
3. Escolha o conceito com o recorte correto
Antropocentrismo e teocentrismo tratam de outras centralidades conceituais. Etnocentrismo é uma categoria mais geral de hierarquização cultural, mas a opção fala em reforçá-lo, enquanto o texto questiona uma perspectiva colonial europeia. A crítica ao eurocentrismo corresponde precisamente a esse movimento.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) recuperação do tradicionalismo.
O texto não propõe recuperar o tradicionalismo como preservação de uma ordem consagrada. A iniciativa investiga figuras encobertas e revisa uma perspectiva histórica dominante. A alternativa não explica o questionamento do ponto de vista colonial que organiza a proposta.
B) estímulo ao antropocentrismo.
A discussão não se concentra em colocar o ser humano no centro da explicação em oposição a outra ordem. O foco é a centralidade de uma perspectiva cultural e histórica europeia na narrativa sobre o Brasil, e o apagamento de trajetórias negras que ela produz.
C) reforço do etnocentrismo.
A iniciativa não reforça uma visão que julga todas as culturas por uma referência superior. Ela questiona apagamentos de uma narrativa colonial e amplia o conhecimento da formação brasileira. A opção inverte esse movimento ao apresentá-lo como reforço do etnocentrismo.
D) resgate do teocentrismo.
O texto não procura restaurar Deus como centro da explicação histórica ou cultural. A plataforma trata de sujeitos, heranças e perspectivas de conhecimento. A alternativa introduz uma centralidade religiosa que não constitui o problema apresentado.
E) crítica ao eurocentrismo.
A alternativa identifica a crítica à perspectiva imposta pelos colonizadores europeus. Valorizar trajetórias negras e contribuições ainda encobertas amplia a compreensão da formação cultural brasileira e questiona o privilégio de uma narrativa centrada na experiência europeia.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra E. A iniciativa favorece a crítica ao eurocentrismo. Em questões de história e memória, observe quem ganha visibilidade e qual perspectiva anterior é questionada: o conceito deve explicar essa mudança do olhar, sem inverter sua direção.
Erro comum: Confundir valorização de sujeitos historicamente apagados com reforço de uma superioridade cultural.
Para a próxima questão: Pergunte que centro de interpretação a proposta procura deslocar.
