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Ciências HumanasEnem 2023

Questão 57 — ENEM 2023Caderno azul · 1º Dia

Quem se mete pelo caminho do pedido de perdão deve estar pronto a escutar uma palavra de recusa. Entrar na atmosfera do perdão é aceitar medir-se com a possibilidade sempre aberta do imperdoável. Perdão pedido não é perdão a que se tem direito [devido]. É com o preço destas reservas que a grandeza do perdão se manifesta.

RICOEUR, P. O perdão pode curar. Disponível em: www.lusosofia.net. Acesso em: 14 out. 2019.

Questão 57

A reflexão sobre o perdão apresentada no texto encontra fundamento na(s)

Ver Gabarito

Gabarito oficial: E

Gabarito letra E. A autonomia dos indivíduos é o fundamento da reflexão. Em argumentos éticos, diferencie poder solicitar e poder exigir. Aqui, a grandeza do perdão depende de ele não ser convertido em algo que o pedido, sozinho, obriga o outro a conceder.

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📋 Ficha da questão

  • Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
  • Conteúdo: Ética: perdão e autonomia nas relações.
  • Prova: Enem 2023, aplicação regular, 1º dia.
  • Identificação: questão 57, caderno 1 azul, página 22.

🔎 Passo 1 — Leia o comando

O comando pede o fundamento da reflexão sobre o perdão. Vamos observar a distinção central: pedir perdão não dá à pessoa o direito de recebê-lo. Quem pede precisa aceitar a possibilidade de recusa. O texto preserva a decisão de quem foi ofendido, e a resposta deve reconhecer essa autonomia, sem atribuir a escolha a uma determinação divina ou a uma predestinação do espírito.

📚 Passo 2 — Revise o conceito

Autonomia, nas relações interpessoais, envolve a possibilidade de decidir sem que a vontade de outra pessoa substitua automaticamente a própria escolha. No caso do perdão, a solicitação não transforma o ato em uma obrigação exigível. O trecho relaciona sua grandeza à abertura de uma decisão que pode ser negativa. Isso não significa que toda recusa seja desejo de domínio; significa que o perdão depende do sujeito que pode concedê-lo e não pode ser apropriado como um direito de quem o solicita.

🧭 Passo 3 — Encontre as pistas

  • Quem pede deve estar pronto a escutar uma recusa. A formulação apresenta duas pessoas com posições distintas e preserva a possibilidade de uma delas não realizar o desejo da outra.
  • A passagem nega que o perdão pedido seja um perdão devido. O ato não é tratado como uma prestação que a simples solicitação tornaria obrigatória.
  • A possibilidade do imperdoável permanece aberta. Essa reserva sustenta a dimensão autônoma da decisão e impede compreender o perdão como um resultado automaticamente produzido pelo pedido.

🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo

1. Separe o pedido e a decisão

Uma pessoa pode pedir, mas a outra conserva a possibilidade de responder. A pergunta se resolve pela relação entre essas duas posições, não por imaginar que a solicitação já determine o desfecho.

2. Leia a negação de um direito automático

O texto recusa a equivalência entre pedir e ter direito a receber. Esse é o núcleo do argumento. A autonomia de quem decide precisa ser mantida para que o perdão não se converta em imposição.

3. Escolha um fundamento humano e relacional

Vontade divina, predestinação e conhecimento empírico não aparecem como critérios decisivos. A passagem se organiza pela relação entre indivíduos e pela liberdade de conceder ou recusar o ato solicitado.

✅ Passo 5 — Analise as alternativas

A) rejeição particular amparada pelo desejo de poder.

A possibilidade de recusa não é apresentada como exercício de um desejo de poder. A alternativa atribui uma motivação específica a toda decisão negativa, enquanto o texto apenas afirma que ela precisa permanecer possível.

B) decisão subjetiva determinada pela vontade divina.

Não há referência a uma vontade divina determinando a decisão. O caráter subjetivo da escolha não autoriza acrescentar uma causa religiosa que o trecho não apresenta como seu fundamento.

C) liberdade mitigada pela predestinação do espírito.

A predestinação reduziria a abertura da decisão a um destino previamente fixado. A passagem destaca a possibilidade de resposta e a inexistência de obrigação automática, sem relacioná-las a uma determinação do espírito.

D) escolhas humanas definidas pelo conhecimento empírico.

O texto não estabelece uma quantidade de observações ou de informações empíricas que defina a escolha. Seu foco é a autonomia de quem pode perdoar, não um procedimento de conhecimento que produza necessariamente a decisão.

E) relações interpessoais mediadas pela autonomia dos indivíduos.

É a resposta correta. A reflexão se fundamenta em relações interpessoais mediadas pela autonomia. O pedido não elimina a decisão de quem pode conceder o perdão, e a possibilidade de recusa faz parte da compreensão apresentada.

🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova

Gabarito letra E. A autonomia dos indivíduos é o fundamento da reflexão. Em argumentos éticos, diferencie poder solicitar e poder exigir. Aqui, a grandeza do perdão depende de ele não ser convertido em algo que o pedido, sozinho, obriga o outro a conceder.

Erro comum: Tratar o pedido de perdão como um direito automático ao perdão recebido.

Para a próxima questão: Pergunte quem conserva a decisão depois que o pedido é feito.

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