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Questão 59 — ENEM 2023Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Do século XVI em diante, pelo menos nas classes mais altas, o garfo passou a ser usado como utensílio para comer, chegando através da Itália primeiramente à França e, em seguida, à Inglaterra e à Alemanha, depois de ter servido, durante algum tempo, apenas para retirar alimentos sólidos da travessa. Henrique III introduziu-o na França, trazendo-o provavelmente de Veneza. Seus cortesãos não foram pouco ridicularizados por essa maneira “afetada” de comer e, no princípio, não eram muito hábeis no uso do utensílio: pelo menos se dizia que metade da comida caía do garfo no caminho do prato à boca. Em data tão recente como o século XVII, o garfo era ainda basicamente artigo de luxo, geralmente feito de prata ou ouro.
ELIAS, N. O processo civilizador: uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.
Questão 59
O processo social relatado indica a formação de uma etiqueta que tem como princípio a
Alternativas
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Gabarito oficial: A
Gabarito letra A. O princípio é a distinção das classes sociais. Em textos sobre costumes, procure quem pratica, quem pode acessar o objeto e qual valor social lhe é atribuído. A história de um utensílio também pode revelar formas de hierarquia.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Sociologia dos costumes: etiqueta e distinção de classes.
- Prova: Enem 2023, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 59, caderno 1 azul, página 23.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pede o princípio da etiqueta que se forma no processo descrito. Vamos observar quem usa o utensílio e a que materiais ele é associado. O texto destaca classes altas, corte e peças de luxo feitas de prata ou ouro. O garfo não aparece apenas como uma solução técnica para comer: participa de formas de comportamento que distinguem grupos sociais.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Etiqueta reúne convenções de comportamento reconhecidas em determinados meios. Essas práticas podem funcionar como marcadores de posição e prestígio, separando maneiras consideradas adequadas a cada grupo. No trecho, o uso do garfo se difunde inicialmente em círculos de elite e mantém um caráter luxuoso. O sentido sociológico solicitado está na distinção de classes, sem que seja necessário afirmar que a novidade fosse imediatamente aceita por todos ou praticada com habilidade desde o início.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- A expressão pelo menos nas classes mais altas delimita o grupo social que adota a prática. Essa indicação é decisiva para compreender a etiqueta como um marcador de posição, e não como um hábito universal desde a origem.
- O rei e seus cortesãos participam da circulação do costume. A adoção em ambientes de corte associa o modo de comer a relações de prestígio e distinção.
- O garfo é apresentado como artigo de luxo, geralmente em metais preciosos. O material reforça sua relação com recursos e status, enquanto o texto não o explica principalmente por uma preocupação higiênica.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Localize quem adota a novidade
A trajetória do utensílio interessa porque passa por classes altas e ambientes cortesãos. Identificar esses agentes permite ir além de uma leitura que trate o episódio apenas como invenção doméstica.
2. Relacione hábito e prestígio
Um modo de comer pode diferenciar grupos por acesso ao objeto e por domínio de uma convenção. O luxo do material e a circulação na corte dão apoio a essa função social.
3. Não confunda utilidade com princípio social
O garfo pode ter uma função prática, mas a pergunta pede o princípio da etiqueta descrita. A resposta deve explicar a hierarquia e a distinção que os detalhes da fonte tornam visíveis.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) distinção das classes sociais.
É a resposta correta. O costume circula entre classes altas e aparece associado a luxo e corte, compondo uma etiqueta de distinção social. A alternativa reúne o grupo que o adota e o valor de prestígio atribuído ao objeto.
B) valorização de hábitos de higiene.
A higiene não é apresentada como motivação principal da adoção. A passagem enfatiza classe, luxo e comportamento cortesão, sem explicar a prática por uma campanha sanitária ou preocupação de limpeza.
C) exaltação da cultura mediterrânea.
A Itália participa da trajetória do utensílio, mas isso não prova uma exaltação geral da cultura mediterrânea. A alternativa transforma a origem geográfica em princípio de valorização que o texto não desenvolve.
D) consagração de tradições medievais.
O recorte descreve uma novidade incorporada a partir do século XVI, não uma consagração de tradições medievais. A opção não explica o processo de adoção e a posição social dos grupos mencionados.
E) disseminação de produtos manufaturados.
A circulação de um produto não basta para identificar o princípio da etiqueta. A alternativa descreve um aspecto econômico genérico, mas não explica por que o costume e o objeto aparecem vinculados a classes altas e prestígio.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra A. O princípio é a distinção das classes sociais. Em textos sobre costumes, procure quem pratica, quem pode acessar o objeto e qual valor social lhe é atribuído. A história de um utensílio também pode revelar formas de hierarquia.
Erro comum: Escolher uma utilidade cotidiana do objeto sem observar a posição social de seus usuários.
Para a próxima questão: Relacione as expressões classes altas, cortesãos e artigo de luxo antes de nomear o processo.
