Mapa de questões · 1º dia
Questão 70 — ENEM 2023Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
No cemitério, a sociedade religiosa encarregada do funeral, aterrorizada, apressou a cerimônia de tal forma que a mãe de Herzog perdeu o momento em que o caixão do filho começou a ser coberto pela terra. Quatro jornalistas que estavam presos no DOI chegaram para assistir ao sepultamento. Um se afastara, chorando. Dizia: Eles matam, eles matam! Não pergunte nada. Não podemos dizer nada. Eles matam mesmo. Falava-se baixo. Ouviram-se dois curtos discursos. O primeiro, da atriz Ruth Escobar: Até quando vamos suportar tanta violência? Até quando vamos continuar enterrando nossos mortos em silêncio? No segundo, Audálio Dantas recitou o Navio negreiro, de Castro Alves: Senhor Deus dos desgraçados / Dizei-me Vós, Senhor Deus / Se é mentira, se é verdade, / Tanto horror perante os céus.
GASPARI, E. A ditadura encurralada. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.
Questão 70
O acontecimento descrito no texto, ocorrido em meados dos anos 1970, atesta a seguinte característica do regime político-institucional vigente:
Alternativas
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Gabarito oficial: C
Gabarito letra C. O episódio atesta a institucionalização de mecanismos repressivos. Em fontes de um regime autoritário, procure a relação entre ação concreta e aparato de poder. A profissão de uma vítima ou um elemento da cerimônia não deve substituir o processo que o comando solicita.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Ditadura militar: repressão política institucionalizada.
- Prova: Enem 2023, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 70, caderno 1 azul, página 26.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pede uma característica do regime vigente em meados dos anos1970. Vamos observar as marcas de repressão que atravessam o funeral: jornalistas presos no DOI, medo de falar e denúncias de mortes. A cerimônia mostra os efeitos de um aparato institucional de violência. A resposta não é sobre a criação de um ritual estatal, mas sobre o mecanismo político que produz o temor e a resistência descritos.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Um regime autoritário pode institucionalizar práticas repressivas por meio de órgãos, procedimentos e ações de perseguição aos considerados opositores. No trecho, a presença do DOI e a fala contida dos jornalistas situam o medo em uma estrutura de poder, não em um conflito particular. Os discursos de indignação mostram que o funeral também se torna um espaço de denúncia. A questão pede reconhecer o funcionamento repressivo que o episódio permite evidenciar.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- Os jornalistas são apresentados como presos no DOI. A menção a um órgão de repressão mostra uma dimensão institucional, e não apenas a ação isolada de uma pessoa desconhecida.
- A repetição de que eles matam vem acompanhada da impossibilidade de falar abertamente. O medo de denunciar torna visível o poder de intimidação que atravessa a cena.
- Os discursos criticam violência e mortes silenciadas. A oposição entre temor e denúncia ajuda a compreender o funeral como um acontecimento em que os efeitos do aparato repressivo se tornam visíveis.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Separe o acontecimento e o processo revelado
O funeral é a fonte concreta; o comando quer uma característica do regime. Use os elementos da cerimônia para inferir o funcionamento da repressão, sem reduzir a resposta à organização do próprio ritual.
2. Identifique a presença institucional
A referência a presos e ao DOI conecta a violência a mecanismos do Estado. Essa pista sustenta a ideia de repressão institucionalizada, em vez de uma situação sem vínculo com a estrutura política.
3. Não invente uma política de mídia
O texto mostra jornalistas, mas não descreve estatização de empresas de comunicação. A profissão dos participantes não autoriza substituir a repressão por um processo econômico e institucional diferente.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) Incorporação da estética popular para justificar o ideal de integração nacional.
A presença de um poema no discurso não significa que o regime incorporasse estética popular para justificar integração nacional. O poema é usado no funeral como denúncia do horror, em direção distinta da alternativa.
B) Afirmação da estratégia psicossocial para favorecer o objetivo de propaganda cívica.
A passagem não apresenta uma estratégia de propaganda cívica como eixo. Ela descreve medo, prisões e denúncias de violência. A alternativa troca o mecanismo repressivo evidenciado por outra dimensão de atuação estatal.
C) Institucionalização de mecanismos repressivos para eliminar os focos de resistência.
É a resposta correta. A presença de presos no DOI e a intimidação revelam mecanismos repressivos institucionalizados para enfrentar focos de resistência. O episódio permite reconhecer a violência como parte do funcionamento do regime.
D) Adoção de cerimoniais públicos para controlar as manifestações de grupos opositores.
O funeral não é apresentado como cerimonial criado pelo Estado para controlar opositores. A pressa decorre do temor dos responsáveis, e os discursos assumem caráter de denúncia. A alternativa altera o agente e a finalidade do acontecimento.
E) Estatização de meios de comunicação para selecionar a divulgação de atos governamentais.
Não há informação de estatização de meios de comunicação. A presença de jornalistas presos mostra repressão, mas não demonstra que empresas tenham sido incorporadas pelo Estado para selecionar notícias. A opção acrescenta outro processo.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra C. O episódio atesta a institucionalização de mecanismos repressivos. Em fontes de um regime autoritário, procure a relação entre ação concreta e aparato de poder. A profissão de uma vítima ou um elemento da cerimônia não deve substituir o processo que o comando solicita.
Erro comum: Confundir a cerimônia em que a repressão é denunciada com um ritual criado pelo próprio Estado.
Para a próxima questão: Relacione DOI, prisão e medo de falar à estrutura política que sustenta a intimidação.
