Mapa de questões · 1º dia
LinguagensEnem 2023

Questão 15 — ENEM 2023Caderno azul · 1º Dia

As cinzas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, consumido pelas chamas no mês de setembro de 2018, são mais do que restos de fósseis, cerâmicas e espécimes raros. O museu abrigava, entre mais de 20 milhões de peças, os esqueletos com as respostas para perguntas que ainda não haviam sido respondidas — ou sequer feitas — por pesquisadores brasileiros. E o incêndio pode ter calado para sempre palavras e cantos indígenas ancestrais, de línguas que não existem mais no mundo.

O acervo do local continha gravações de conversas, cantos e rituais de dezenas de sociedades indígenas, muitas feitas durante a década de 1960 com antigos gravadores de rolo e que ainda não haviam sido digitalizadas. Alguns dos registros abordavam línguas já extintas, sem falantes originais ainda vivos. “A esperança é que outras instituições tenham registros dessas línguas”, diz a linguista Marilia Facó Soares. A pesquisadora, que trabalha com os índios Tikuna, o maior grupo da Amazônia brasileira, crê ter perdido parte de seu material. “Terei que fazer novas viagens de campo para recompor meus arquivos. Mas obviamente não dá para recuperar a fala de nativos já falecidos, geralmente os mais idosos”, lamenta.

Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 10 dez. 2018 (adaptado).

Questão 15

A perda dos registros linguísticos no incêndio do Museu Nacional tem impacto potencializado, uma vez que

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Gabarito oficial: B

Gabarito letra B. O dano é potencializado por perdas irreparáveis à memória e à identidade nacionais. Em questões sobre patrimônio, confira o que pode ser recomposto e o que não pode: essa diferença delimita a gravidade sem exigir uma generalização absoluta.

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📋 Ficha da questão

  • Área: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
  • Conteúdo: Patrimônio linguístico: memória e perdas irreparáveis.
  • Prova: Enem 2023, aplicação regular, 1º dia.
  • Identificação: questão 15, caderno 1 azul, página 9.

🔎 Passo 1 — Leia o comando

O comando pede por que o impacto da perda foi potencializado. O incêndio destruiu registros, mas a questão recorta aquilo que torna parte desse dano especialmente grave: algumas gravações eram de línguas extintas e de falantes que já haviam morrido. Vamos distinguir uma pesquisa que pode ser retomada de uma voz que não pode ser recuperada.

📚 Passo 2 — Revise o conceito

O patrimônio linguístico inclui registros de práticas, saberes e modos de expressão de diferentes comunidades. Gravações preservam não só informações abstratas sobre uma língua, mas vozes, cantos, conversas e rituais. Quando os falantes já não estão vivos, perder esse material pode significar a perda irreparável de uma parte da memória e da identidade nacionais, sem equivaler à extinção de toda a cultura de povos que continuam existindo.

🧭 Passo 3 — Encontre as pistas

  • O acervo continha conversas, cantos e rituais de dezenas de sociedades indígenas. A variedade dos registros mostra que o impacto ultrapassa uma coleção de objetos ou uma pesquisa individual.
  • Algumas gravações tratavam de línguas já extintas, sem falantes originais vivos. Essa condição impede simplesmente repetir a coleta como se os mesmos participantes ainda pudessem ser entrevistados.
  • A pesquisadora distingue novas viagens de campo da impossibilidade de recuperar a fala de nativos falecidos. É essa diferença que explica o caráter irreparável de parte da perda e responde ao recorte do comando.

🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo

1. Localize a informação que torna o dano maior

O comando não pergunta apenas o que foi destruído. Ele pede o fator que potencializa o impacto. A existência de vozes de falantes já mortos e de registros de línguas extintas dá à perda uma dimensão que não se resolve pela compra de novos equipamentos ou por nova viagem.

2. Respeite as diferenças entre os materiais

O texto admite esperança de haver cópias em outras instituições e a possibilidade de recompor parte dos arquivos. Isso não elimina a gravidade, mas impede afirmar que todas as pesquisas se tornaram impossíveis ou que qualquer língua mencionada deixou de poder ser estudada.

3. Relacione o acervo à memória coletiva

Os registros abrangiam experiências de sociedades indígenas e integravam um patrimônio nacional. Perder vozes e práticas que não podem ser novamente registradas compromete memória e identidade. A alternativa deve conservar esse alcance sem declarar a extinção total de culturas vivas.

✅ Passo 5 — Analise as alternativas

A) exige a retomada das pesquisas por especialistas de diferentes áreas.

Retomar pesquisas pode ser uma consequência, e o texto menciona novas viagens de campo. Contudo, isso não explica plenamente o impacto potencializado: certas vozes não podem ser novamente gravadas. A opção fica no trabalho de recomposição e deixa de alcançar o dano irreparável.

B) representa danos irreparáveis à memória e à identidade nacionais.

A alternativa relaciona os registros à memória e à identidade nacionais e reconhece a impossibilidade de recompor parte deles. É a leitura sustentada pelas línguas extintas e pelos falantes falecidos, cuja voz não pode ser recuperada por uma nova coleta.

C) impossibilita o surgimento de novas pesquisas na área.

O texto não afirma que toda pesquisa futura na área se tornou impossível. Há esperança de cópias em outras instituições e possibilidade de recompor parte dos materiais. A alternativa generaliza a perda e transforma um dano grave em impedimento absoluto de novas pesquisas.

D) resulta na extinção da cultura de povos originários.

A destruição do acervo não é apresentada como causa da extinção de toda a cultura dos povos originários. As culturas não se reduzem às gravações guardadas no museu. O texto discute a perda de registros e memórias, não o desaparecimento completo dessas sociedades e práticas.

E) inviabiliza o estudo da língua do povo Tikuna.

O povo Tikuna é descrito como o maior grupo da Amazônia brasileira, e a pesquisadora admite fazer novas viagens. O trecho não diz que o estudo de sua língua foi inviabilizado. A opção confunde a perda de parte do material com a impossibilidade de estudar a língua.

🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova

Gabarito letra B. O dano é potencializado por perdas irreparáveis à memória e à identidade nacionais. Em questões sobre patrimônio, confira o que pode ser recomposto e o que não pode: essa diferença delimita a gravidade sem exigir uma generalização absoluta.

Erro comum: Confundir a perda de registros de algumas línguas com a impossibilidade de toda pesquisa futura.

Para a próxima questão: Procure a informação que impede repetir a coleta dos registros destruídos.

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