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Questão 54 — ENEM 2024Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Os grupos dominantes são beneficiados em termos de credibilidade e podem, com isso, controlar falas de membros de outros grupos, descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça). Algumas formas de preconceito tornam as declarações das pessoas menos importantes devido ao seu pertencimento a determinado grupo social. Assim, um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte.
KUHNEN, T. Resenha de The Power and Ethics of Knowing, de Miranda Fricker. Revista Princípios, n. 33, 2013.
Questão 54
Com base na reflexão suscitada no texto, o preconceito de identidade é responsável por um tipo de injustiça
Alternativas
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Gabarito oficial: D
Gabarito letra D. O preconceito produz uma injustiça epistêmica, prejudicando as trocas informacionais. Ao encontrar um conceito desconhecido, observe qual relação o texto descreve: aqui, quem pode falar e ser reconhecido como alguém que sabe é o centro da questão.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Filosofia: injustiça epistêmica e credibilidade.
- Prova: Enem 2024, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 54, caderno 1 azul, página 22.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pede o tipo de injustiça produzido pelo preconceito de identidade descrito. Vamos identificar o que é prejudicado: a possibilidade de uma pessoa ser reconhecida como fonte de informação e ter seu testemunho levado a sério. O problema não está, no recorte, na qualidade de sua visão, na aparência corporal ou em uma emoção particular. Está no modo como o ouvinte avalia sua fala a partir de preconceitos.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Epistêmico se refere ao conhecimento e às condições de sua produção, circulação e reconhecimento. Uma injustiça epistêmica ocorre quando alguém é prejudicado nessa condição de sujeito que conhece e comunica algo. No texto, o falante recebe menos credibilidade por pertencer a um grupo social marcado por preconceitos de raça ou gênero. O conteúdo de seu testemunho é desvalorizado antes de ser examinado adequadamente, o que prejudica tanto a pessoa quanto as trocas de informação na sociedade.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- A passagem apresenta a credibilidade como uma vantagem dos grupos dominantes. O termo indica que o foco está na confiança concedida ao que alguém diz, e não apenas na distribuição de bens materiais.
- Os testemunhos de integrantes de outros grupos são desqualificados com base em preconceitos de identidade. O pertencimento do falante passa a substituir a avaliação das razões ou das informações que apresenta.
- A conclusão afirma que o ouvinte concede menos credibilidade devido ao próprio preconceito. A injustiça aparece na relação entre quem comunica e quem recebe uma informação, dimensão diretamente ligada ao conhecimento.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Localize o bem ou a capacidade atingida
Cada alternativa nomeia uma dimensão possível da injustiça. Observe que a passagem insiste em fala, testemunho e credibilidade. Essa repetição permite delimitar a dimensão epistêmica sem depender apenas de memorizar uma palavra técnica.
2. Identifique a causa da desvalorização
O texto não afirma que o testemunho foi analisado e considerado falso. A perda de credibilidade decorre do preconceito ligado à identidade do falante. Essa é a diferença entre avaliação de uma informação e tratamento injusto de uma pessoa como informante.
3. Relacione indivíduo e circulação de conhecimento
Quando certas falas são desqualificadas por preconceito, informações e experiências deixam de ser reconhecidas. A alternativa correta deve reunir a dimensão do conhecimento e o prejuízo às trocas informacionais descritas.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) estética, que normatiza os padrões corporais.
Uma injustiça estética poderia envolver a imposição de padrões de beleza ou aparência. O texto, entretanto, não discute a normatização dos corpos: analisa a confiança atribuída a falas e testemunhos conforme a identidade de quem os produz.
B) sensorial, que privilegia as habilidades visuais.
Não há preferência por habilidades visuais nem uma comparação entre sentidos. O problema não é perceber fisicamente uma informação, mas reconhecer a credibilidade de quem a comunica. A alternativa desloca o campo da injustiça.
C) afetiva, que impede as expressões emocionais.
A passagem não afirma que expressões emocionais sejam impedidas. Mesmo um testemunho sem conteúdo afetivo poderia ser desqualificado pelo preconceito descrito. O critério central é a atribuição injusta de credibilidade.
D) epistêmica, que prejudica as trocas informacionais.
É a resposta correta. A injustiça é epistêmica porque atinge pessoas na condição de sujeitos de conhecimento e prejudica a circulação de informações. O preconceito do ouvinte diminui o valor atribuído à fala de determinados grupos.
E) econômica, que perpetua as desigualdades materiais.
Desigualdades materiais podem se relacionar a hierarquias sociais, mas não são a dimensão específica examinada. O trecho focaliza falas e credibilidade, e a opção econômica não explica esse mecanismo de desqualificação do testemunho.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra D. O preconceito produz uma injustiça epistêmica, prejudicando as trocas informacionais. Ao encontrar um conceito desconhecido, observe qual relação o texto descreve: aqui, quem pode falar e ser reconhecido como alguém que sabe é o centro da questão.
Erro comum: Marcar a desigualdade econômica por ser um efeito possível do preconceito, sem atender ao mecanismo específico do trecho.
Para a próxima questão: Associe epistêmico ao conhecimento e confira como a credibilidade é distribuída entre os falantes.
