Mapa de questões · 1º dia
Questão 61 — ENEM 2024Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Eu sentia falta do futuro. É claro que eu sabia, muito mesmo antes da recorrência dele, que nunca envelheceria. Era muito provável que eu nunca mais fosse ver o oceano de uma altura de trinta mil pés de novo, uma distância tão grande que não dá nem para distinguir as ondas, nem nenhum barco, de um jeito que faz o oceano parecer um enorme e infinito monólito. Eu poderia imaginá-lo. Eu poderia me lembrar dele. Mas não poderia vê-lo de novo, e me ocorreu que a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.
GREEN, J. A culpa é das estrelas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.
Questão 61
O texto apresenta uma reflexão da personagem acerca de um problema característico da filosofia contemporânea, que trata da(s)
Alternativas
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Gabarito oficial: B
Gabarito letra B. O problema é a finitude humana. Para reconhecer um tema filosófico em um fragmento literário, transforme as imagens em uma relação: aqui, os desejos continuam a se abrir, mas o tempo de vida impede sua realização indefinida.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Filosofia da existência: finitude e projetos de vida.
- Prova: Enem 2024, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 61, caderno 1 azul, página 23.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pede o problema filosófico presente na reflexão da personagem. Vamos procurar o limite que reorganiza seus desejos: ela sabe que não envelhecerá e que certas experiências não poderão acontecer novamente. A saudade do futuro expressa essa relação com possibilidades interrompidas. O centro da passagem é a consciência da duração limitada da vida, e não uma dificuldade de encontrar palavras ou uma investigação científica.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Finitude humana é a condição de uma existência limitada, atravessada pela possibilidade e pela certeza da morte. Essa condição afeta a maneira como as pessoas compreendem seus projetos, lembranças e expectativas. No trecho, imaginar ou recordar uma experiência não equivale a poder realizá-la de novo. A personagem percebe a distância entre seus desejos e o tempo de que dispõe. A questão pede nomear esse problema existencial concretamente descrito, sem substituí-lo por uma categoria mais vaga.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- A afirmação de que nunca envelheceria apresenta a interrupção esperada da trajetória de vida. Não se trata de uma escolha de permanecer jovem, mas da percepção de um limite que restringe futuros possíveis.
- O oceano pode ser imaginado e lembrado, mas a personagem acredita que não poderá vê-lo novamente daquela perspectiva. A diferença entre memória e experiência futura torna o limite temporal sensível.
- A reflexão sobre sonhos nunca plenamente saciados contrapõe a continuidade do desejo à impossibilidade de repetir indefinidamente a vida. Essa tensão é diretamente relacionada à finitude.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Identifique o limite da experiência
A personagem não diz apenas que está triste ou que possui ambições. Ela relaciona a tristeza ao que já não poderá viver. A consciência da morte organiza a avaliação dos próprios desejos.
2. Diferencie recordar e realizar
A passagem insiste em que imaginar o oceano ou lembrar dele continua possível, enquanto repetir a experiência deixa de ser. Essa oposição mostra por que a finitude não apaga a memória, mas altera a relação com o futuro.
3. Escolha a categoria mais específica
Uma reflexão sobre a existência pode envolver muitos problemas. Aqui, a vida limitada e os projetos interrompidos apontam precisamente para finitude humana. Uma expressão genérica sobre pressuposição existencial não explica tão diretamente as pistas apresentadas.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) implicações éticas.
Implicações éticas envolveriam discutir o valor de ações, deveres ou escolhas morais. A personagem não avalia se agir de certa maneira é justo ou correto; examina sua relação com um futuro que não poderá viver.
B) finitude humana.
É a resposta correta. A expectativa de não envelhecer e de não repetir certas experiências evidencia a finitude humana. A passagem relaciona a duração limitada da vida aos desejos e às possibilidades que ficam interrompidas.
C) limitações da linguagem.
O texto utiliza linguagem para expressar a experiência, mas não apresenta um problema sobre os limites de dizer ou representar algo. A impossibilidade mencionada é viver novamente certas situações, e não formulá-las verbalmente.
D) pressuposição existencial.
A alternativa nomeia uma referência existencial ampla sem identificar o problema específico. O trecho oferece pistas precisas de limite temporal e morte; finitude humana é a categoria que explica diretamente essa relação.
E) objetividade do conhecimento.
A personagem não procura estabelecer um método de conhecimento objetivo nem compara verdade e opinião. A reflexão se concentra na experiência subjetiva do tempo e nos projetos diante da morte, e não na validade de uma investigação.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra B. O problema é a finitude humana. Para reconhecer um tema filosófico em um fragmento literário, transforme as imagens em uma relação: aqui, os desejos continuam a se abrir, mas o tempo de vida impede sua realização indefinida.
Erro comum: Escolher uma expressão filosófica vaga e deixar de nomear o limite concreto que organiza o trecho.
Para a próxima questão: Pergunte que impossibilidade faz a personagem sentir falta de algo que ainda nem aconteceu.
