Mapa de questões · 1º dia
Questão 24 — ENEM 2024Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala.
— Não pode? — perguntei com assombro. E por quê?
Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.
— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.
RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009.
Questão 24
Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que
Alternativas
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Gabarito oficial: D
Gabarito letra D. O diálogo contrapõe preciosismo linguístico e coloquialidade. Em fragmentos com posições em confronto, identifique o critério de cada personagem antes de formular a resposta. A opinião de uma delas não pode ser tomada automaticamente como a tese única do texto.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Literatura e linguagem: preciosismo e coloquialidade.
- Prova: Enem 2024, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 24, caderno 1 azul, página 11.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pede o debate sobre escrita apresentado na discussão dos personagens. Um deles considera artificial o modo como o texto foi escrito e pergunta quem fala daquela maneira. O outro defende uma separação rígida entre escrever literatura e conversar. Vamos identificar essa oposição, sem pressupor que os dois personagens tenham a mesma concepção de linguagem artística.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Uma narrativa pode colocar diferentes posições em confronto por meio do diálogo. Neste fragmento, o debate aproxima uma linguagem literária percebida como excessivamente rebuscada e situações de comunicação cotidiana. O preciosismo envolve um cuidado artificial com a expressão, associado a formas que se afastam da fala comum. A questão não exige escolher uma regra universal para toda literatura, mas reconhecer a tensão que os personagens encenam.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- A crítica inicial questiona a naturalidade da escrita produzida por Gondim. O argumento recorre à ausência daquele modo de falar na experiência cotidiana, aproximando a discussão de uma exigência de coloquialidade.
- Gondim responde que um artista não poderia escrever como fala. Sua defesa estabelece uma diferença necessária entre a prática literária e as formas utilizadas em conversas e negociações.
- A justificativa de que sempre se escreveu assim sustenta uma convenção de escrita. O confronto mostra posições distintas sobre o grau de afastamento entre linguagem literária e uso cotidiano.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Identifique a discordância concreta
A discussão não começa por um erro de concordância ou por uma regra da norma padrão. O problema levantado é o caráter artificial de uma forma de escrever. Isso delimita a oposição e impede reduzir o episódio a uma cobrança gramatical.
2. Compare o critério de cada personagem
Um personagem recorre à maneira como as pessoas realmente falam; o outro defende uma linguagem literária separada dessas práticas. O debate se constrói na diferença entre esses critérios, não na existência de uma posição compartilhada por ambos.
3. Nomeie a oposição do fragmento
A alternativa correta deve expressar o confronto entre preciosismo e coloquialidade. Não há uma defesa específica de dialetos desprestigiados nem uma explicação de que a norma culta, por si mesma, cause desentendimentos pessoais.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) diferencia a produção artística do registro padrão da língua.
O diálogo não toma a norma padrão como termo principal da comparação. A oposição aparece entre uma escrita considerada artificial e práticas de fala cotidiana. Substituir esse contraste por produção artística versus registro padrão altera o eixo da discussão.
B) aproxima a literatura de dialetos sociais de pouco prestígio.
Não se identifica uma variedade social desprestigiada específica como modelo defendido para a literatura. A crítica recorre à fala cotidiana de maneira mais ampla. A alternativa acrescenta uma classificação social que o trecho não desenvolve.
C) defende a relação entre a fala e o estilo literário de um autor.
A relação entre fala e escrita é discutida, mas o fragmento encena uma discordância entre os personagens. A alternativa apresenta uma defesa mais unificada dessa relação, sem expressar a oposição entre preciosismo e coloquialidade que organiza o diálogo.
D) contrapõe o preciosismo linguístico a situações de coloquialidade.
É a resposta correta. A crítica à escrita artificial se confronta com a defesa de uma linguagem literária diferente da comunicação cotidiana. O debate contrapõe preciosismo linguístico e situações de coloquialidade.
E) associa o uso da norma culta à ocorrência de desentendimentos pessoais.
Há um desentendimento entre pessoas, mas ele não é explicado como consequência automática do uso da norma culta. O conflito resulta de posições diferentes sobre a escrita literária. A alternativa troca o objeto da discordância por uma causa não estabelecida.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra D. O diálogo contrapõe preciosismo linguístico e coloquialidade. Em fragmentos com posições em confronto, identifique o critério de cada personagem antes de formular a resposta. A opinião de uma delas não pode ser tomada automaticamente como a tese única do texto.
Erro comum: Confundir linguagem rebuscada com norma padrão e reduzir o debate sobre escrita literária a uma discussão de correção gramatical.
Para a próxima questão: Pergunte o que cada personagem considera adequado à literatura e em que ponto seus critérios entram em conflito.
