Mapa de questões · 1º dia
Questão 47 — ENEM 2025 PARÁCaderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Para os gregos, forçar alguém mediante violência, ordenar ao invés de persuadir, eram modos pré-políticos de lidar com as pessoas, típicos da vida fora da polis, característicos do lar e da vida em família, na qual o chefe da casa imperava com poderes incontestes e despóticos.
ARENDT, H. A condição humana. São Paulo: Perspectiva, 2004.
Questão 47
A filósofa alemã Hannah Arendt analisa uma noção de poder sustentada pelo vínculo entre a autoridade e a violência para criticar tendências que se baseiam no(a)
Alternativas
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Gabarito oficial: B
Gabarito letra B. A crítica recai sobre o arbítrio de quem governa como um chefe despótico. Em textos filosóficos, reconstrua a oposição conceitual antes de escolher uma palavra associada genericamente ao tema.
Continue com o Profinho
Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Filosofia política: Arendt, persuasão e arbítrio.
- Prova: Enem 2025 Pará, Belém/Ananindeua/Marituba, 1º dia.
- Identificação: questão 47, caderno 1 azul, página 22.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O trecho contrasta persuadir e forçar. O comando pede a tendência criticada quando a autoridade se sustenta na violência. Vamos localizar a característica do chefe doméstico usada como referência: um poder incontestável, exercido sem deliberação entre iguais.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Na interpretação apresentada por Arendt, a experiência política grega se distingue do comando despótico do lar. Na polis, a relação política se associa à palavra e à persuasão; a imposição violenta pertence a um modelo de dominação pré-político. A crítica permite examinar formas de governo que substituem o debate público pela vontade individual de quem manda.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- “Forçar alguém mediante violência” aparece em contraste com persuadir. O problema não é a existência de uma argumentação firme, mas a substituição da palavra pela imposição.
- Os modos descritos são chamados de “pré-políticos” e associados à vida fora da polis. A oposição ajuda a diferenciar domínio privado e experiência política.
- O chefe da casa impera com poderes “incontestes e despóticos”. A ausência de contestação e os poderes concentrados sustentam a leitura do arbítrio individual.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Identifique a oposição central
Ordenar por violência e persuadir não são apresentados como procedimentos equivalentes. O texto organiza uma distinção entre domínio e ação política mediada pela palavra.
2. Observe o modelo de autoridade
O chefe doméstico não precisa discutir suas decisões com os submetidos. Seus poderes são incontestáveis. Ao transpor esse modelo para governar, a vontade pessoal ocupa o lugar da deliberação.
3. Relacione ao alvo da crítica
A alternativa deve nomear uma autoridade exercida arbitrariamente por um indivíduo. O texto não oferece uma crítica genérica a toda lei ou a qualquer mecanismo de organização coletiva.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) força coercitiva das leis.
Leis podem ter força coercitiva, mas o trecho destaca a autoridade pessoal e despótica do chefe da casa. A opção desloca o foco para normas gerais, quando a tendência criticada é o poder incontestável de um indivíduo.
B) arbítrio individual do governante.
O arbítrio individual corresponde ao exercício do poder pela vontade de quem governa, sem persuasão e contestação. A imagem do chefe doméstico com poderes despóticos sustenta essa crítica.
C) monitoramento coletivo dos cidadãos.
O texto não examina vigilância realizada coletivamente pelos cidadãos. Sua oposição é entre persuasão e comando violento, com concentração de autoridade no chefe, e não entre tipos de monitoramento.
D) imposição constritiva dos argumentos.
Os argumentos pertencem ao campo da palavra e da persuasão que o trecho contrapõe à violência. A crítica não se dirige à força de um argumento em debate, mas à imposição de ordens pelo poder despótico.
E) obediência aos mecanismos de repressão.
A obediência pode acompanhar a dominação, mas a alternativa não identifica o fundamento individual e arbitrário da autoridade destacado. O trecho recorta o modo de exercício do poder pelo chefe incontestado.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra B. A crítica recai sobre o arbítrio de quem governa como um chefe despótico. Em textos filosóficos, reconstrua a oposição conceitual antes de escolher uma palavra associada genericamente ao tema.
Erro comum: Escolher qualquer referência à repressão sem identificar como o poder é concentrado e exercido no trecho.
Para a próxima questão: Pergunte o que substitui a persuasão: uma norma debatida ou a vontade incontestável de quem manda?
