Mapa de questões · 1º dia
Questão 32 — ENEM 2025 PARÁCaderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela. Nos seus terríveis valentes. Nos seus malandros que assaltam com a mesma facilidade com que se dá bom-dia.
O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco, a cada passo, de despencar-me de lá de cima pela pedreira ou pelo morro abaixo.
Aquela gente, que não tem nada, dá uma profunda lição de alegria àqueles que têm tudo.
Sem higiene, sem conforto, naqueles pequeninos casebres […], que se arriscam, a cada instante, a voar com o vento ou despencar-se lá de cima; aquela população de homens valentes — estivadores, carvoeiros, embarcadiços — e de mulheres anemiadas e fracas, e de crianças mal alimentadas e em trapos, cria porcos, bebe cachaça, toca cavaquinho e canta!…
COSTALLAT, B. Mistérios do Rio. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, 1990.
Questão 32
Em 1924, quando foi publicada essa crônica, predominava uma visão estigmatizada e preconceituosa sobre as comunidades no Rio de Janeiro da Primeira República. Nesse trecho, essa percepção é
Alternativas
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Gabarito oficial: D
Gabarito letra D. A crônica relativiza o preconceito por um retrato que reúne mazelas e alegrias. Em questões de perspectiva, compare a imagem apresentada no início com a avaliação construída ao longo do texto.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Crônica e representação social da favela.
- Prova: Enem 2025 Pará, Belém/Ananindeua/Marituba, 1º dia.
- Identificação: questão 32, caderno 1 azul, página 15.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
A pergunta já informa a existência de uma visão preconceituosa sobre a favela. Seu trabalho é reconhecer o que a crônica faz com essa percepção. A resposta precisa considerar o conjunto: o narrador expõe perigos, pobreza e, ao mesmo tempo, uma experiência de alegria.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Uma representação ambivalente reúne dimensões diferentes de uma realidade, sem reduzi-la a um único julgamento. No trecho, reconhecer dificuldades materiais não significa confirmar o estigma de criminalidade. Da mesma forma, registrar a alegria dos moradores não elimina a denúncia da precariedade. A interpretação depende de manter esses dois aspectos em relação.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- O primeiro parágrafo reproduz o que diziam ao narrador: valentes perigosos e malandros. É uma expectativa recebida de outras pessoas, que será confrontada pela experiência da visita.
- O “maior perigo” efetivamente encontrado é cair do morro. O texto desloca a ameaça imaginada dos moradores para as condições físicas do lugar.
- “Não tem nada” e “lição de alegria”, junto às referências a fome, trapos, música e canto, produzem um retrato de sofrimento material e vitalidade cotidiana.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Distinga boato e observação
O narrador relata primeiro uma reputação de violência. Depois apresenta aquilo que viu. Não trate a fala inicial como se fosse a conclusão que a crônica confirma.
2. Leia a mudança de sentido de valentes
Mais adiante, os homens valentes são identificados como estivadores, carvoeiros e embarcadiços. O retrato associa a população ao trabalho, em contraste com o estigma de assalto.
3. Reúna mazelas e alegrias
A precariedade dos casebres e a alegria dos moradores coexistem. A alternativa correta precisa incluir essa ambivalência, sem limitar o texto a uma queda perigosa ou a uma comunidade idealizada.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) reforçada pelas ameaças enfrentadas na favela, habitada por valentes e malandros.
A crônica apresenta a reputação de ameaças para depois confrontá-la com a experiência. A alternativa confunde a expectativa inicial com a perspectiva construída pelo narrador ao observar a comunidade.
B) atenuada por uma visão romântica sobre a comunidade, compreendida como festiva.
A alegria é valorizada, mas o texto não apaga miséria, fome ou falta de conforto. Definir a percepção apenas como romântica e festiva elimina uma dimensão importante do retrato.
C) ressignificada pela exposição do real perigo do morro, materializado pelo risco de queda.
O risco de queda participa do deslocamento do estigma, mas não resume a percepção do trecho inteiro. A alternativa restringe a releitura do morro a uma das observações do narrador.
D) relativizada por uma compreensão ambivalente do morro, constituído por mazelas e alegrias.
A opção reúne as dificuldades materiais e as manifestações de alegria. Essa compreensão ambivalente relativiza a visão preconceituosa, apresentando moradores e experiências que não cabem no estereótipo inicial.
E) enfatizada pela denúncia das más condições da vida local, marcada pela falta de higiene e conforto.
As condições precárias são denunciadas, mas isso não equivale a reforçar o estigma de criminalidade. O narrador combina a denúncia com o reconhecimento da alegria e do trabalho dos moradores.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra D. A crônica relativiza o preconceito por um retrato que reúne mazelas e alegrias. Em questões de perspectiva, compare a imagem apresentada no início com a avaliação construída ao longo do texto.
Erro comum: Escolher uma passagem isolada e apagar a convivência de sentidos que organiza o retrato da comunidade.
Para a próxima questão: Diferencie a opinião que o narrador ouviu da compreensão que ele passa a construir.
