Mapa de questões · 1º dia
Questão 53 — ENEM 2025 PARÁCaderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Não ignoro que muitos foram e são de opinião de que as coisas do mundo são governadas de tal modo pela fortuna e por Deus e que os homens não podem corrigi-las com a prudência, e até não têm remédio algum contra eles. Por isso, poder-se-ia julgar que não devemos incomodar-nos demais com as coisas, mas deixar-nos governar à sorte.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
Questão 53
Diante dessas reflexões de Maquiavel, qual é a função do livre-arbítrio nos domínios da política?
Alternativas
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Gabarito oficial: B
Gabarito letra B. A escolha política orienta o soberano diante das incertezas. Em Filosofia, use o conceito para resolver o problema efetivamente apresentado, sem trocar a passagem por um tema que você associa ao autor.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Filosofia política: Maquiavel, fortuna e ação.
- Prova: Enem 2025 Pará, Belém/Ananindeua/Marituba, 1º dia.
- Identificação: questão 53, caderno 1 azul, página 23.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pergunta pela função do livre-arbítrio no campo político. O texto apresenta uma opinião segundo a qual o mundo seria governado pela fortuna e por Deus. Vamos observar que o autor relata essa posição e examinar o que acontece se os homens simplesmente se entregarem à sorte.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Em Maquiavel, fortuna designa a dimensão de contingência e circunstâncias que não está inteiramente sob controle do agente. A ação política, ligada à capacidade de avaliar e agir, não elimina essas incertezas. O livre-arbítrio permite ao governante tomar decisões e preparar respostas em vez de aceitar passivamente o curso dos acontecimentos. Não é uma promessa de domínio absoluto sobre o mundo.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- “Muitos foram e são de opinião” introduz uma posição conhecida pelo autor. Essa construção não equivale a dizer que ele adota integralmente a conclusão fatalista apresentada.
- A hipótese de que os homens não podem corrigir as coisas com prudência levaria a “deixar-nos governar à sorte”. A inação é a consequência que precisamos confrontar com o papel da escolha política.
- A referência à prudência aponta para a avaliação humana diante de circunstâncias variáveis. O problema do comando é a margem de ação do soberano nesse campo de incertezas.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Reconheça a posição relatada
O texto expõe a crença no governo absoluto da fortuna e de Deus. Não transforme uma opinião atribuída a muitos na tese de que agir politicamente seria inútil em qualquer circunstância.
2. Localize a alternativa à passividade
Se o governante apenas espera a sorte, abre mão de decidir e de preparar sua atuação. O livre-arbítrio corresponde à possibilidade de orientar escolhas diante do que não está garantido.
3. Mantenha o recorte político
A pergunta não se resolve com qualquer tema conhecido de Maquiavel. Conquista militar, moral e diálogo precisam de evidência específica; aqui, o centro é a ação diante da imprevisibilidade.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) Aplacar a aspiração de poder dos súditos.
A aspiração de poder dos súditos não é discutida no fragmento. O problema é a relação entre circunstâncias, prudência e possibilidade de agir, e não uma técnica para reduzir ambições de outros grupos.
B) Orientar o soberano no campo das incertezas.
O livre-arbítrio permite que o soberano decida e atue diante da fortuna, em vez de se deixar governar passivamente pela sorte. A orientação no campo das incertezas corresponde ao problema político apresentado.
C) Estabilizar a administração por meio do diálogo.
O trecho não destaca diálogo como instrumento de estabilização administrativa. Essa finalidade pode parecer positiva, mas não responde à oposição entre ação humana e submissão aos acontecimentos.
D) Relativizar os valores morais no escopo das tradições.
A reflexão não está centrada em relativizar valores morais herdados. Escolher essa opção apenas pela associação geral entre Maquiavel e moralidade deixaria de lado a discussão específica sobre fortuna e prudência.
E) Aprimorar o espírito bélico para a conquista de territórios.
Não há referência a guerra ou conquista territorial. A capacidade de agir diante das circunstâncias é mais ampla que aprimorar o espírito bélico e não pode ser reduzida a essa finalidade.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra B. A escolha política orienta o soberano diante das incertezas. Em Filosofia, use o conceito para resolver o problema efetivamente apresentado, sem trocar a passagem por um tema que você associa ao autor.
Erro comum: Ler a opinião citada no início como adesão integral ao fatalismo ou responder com uma ideia genérica sobre Maquiavel.
Para a próxima questão: Diferencie a posição que o autor menciona da consequência que ele põe em discussão.
