Mapa de questões · 1º dia
Questão 74 — ENEM 2025 PARÁCaderno azul · 1º Dia
Texto da questão
O que define a polis é que, contrariamente à tribo ou às grandes monarquias, contrariamente à comunidade familiar, ali ninguém possui apriori o poder. Não se trata do objeto de um “ter” reservado, mas o lugar de uma luta pelo reconhecimento público, principalmente quando a polis é democrática, como foi o caso de Atenas.
WOLFF, F. Aristóteles e a política. São Paulo: Discurso Editorial, 1999 (adaptado).
Questão 74
A organização política apresentada no texto alcança o modelo de deliberação pública das sociedades democráticas contemporâneas nas quais
Alternativas
Ver Gabarito
Gabarito oficial: C
Gabarito letra C. A vontade popular legitima representantes eleitos nas democracias contemporâneas. Em comparações históricas, identifique o princípio compartilhado e preserve as diferenças institucionais: uma aproximação não autoriza dizer que os dois modelos são iguais em todos os aspectos.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Filosofia: legitimidade democrática.
- Prova: Enem 2025 Pará, Belém/Ananindeua/Marituba, 1º dia.
- Identificação: questão 74, caderno 1 azul, página 28.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pede reconhecer uma correspondência entre a deliberação na polis e as democracias contemporâneas. Vamos localizar o princípio que impede tratar o poder como posse previamente reservada a alguém. A comparação não exige afirmar que a democracia ateniense e a representação moderna são idênticas; procura a base de legitimidade que pode aproximá-las.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Em uma organização democrática, o exercício do poder precisa de reconhecimento público e de procedimentos de legitimação. Nas democracias representativas contemporâneas, a eleição de representantes pela vontade popular é um desses mecanismos. Esse princípio se distingue de uma autoridade fundada apenas em herança familiar, riqueza ou domínio patriarcal. A comparação com a polis deve preservar diferenças históricas, como as formas de participação e os limites da cidadania em Atenas.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- O texto contrapõe a polis à tribo, às grandes monarquias e à comunidade familiar. A distinção se concentra no modo como o poder é reconhecido.
- Ninguém possui previamente o poder como objeto reservado. Isso afasta a ideia de que uma pessoa ou família tenha direito natural e exclusivo a governar.
- A luta pelo reconhecimento público é destacada, sobretudo na polis democrática. A legitimidade precisa ser construída numa esfera que ultrapassa a vontade privada do governante.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Identifique a negação feita pelo texto
O poder não é apresentado como propriedade de um chefe de família ou de uma linhagem. O primeiro critério para avaliar as alternativas é verificar se elas preservam ou contrariem essa recusa de uma posse reservada.
2. Transponha o princípio com cuidado
O comando desloca a comparação para sociedades contemporâneas. Nesse contexto, representantes eleitos obtêm legitimidade por um procedimento de expressão da vontade popular, sem reproduzir exatamente a deliberação direta dos cidadãos atenienses.
3. Separe prática possível e fundamento democrático
Parlamentares podem defender interesses de setores, mas isso não constitui o princípio de legitimação solicitado. A pergunta procura a base pública do poder, não qualquer comportamento que possa ocorrer em um regime atual.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) patriarcas regionais preenchem os espaços de poder.
O domínio de patriarcas regionais se aproxima da concentração pessoal e familiar do poder que o texto contrasta com a polis. Ocupação dos espaços de governo por esse critério não expressa, por si, reconhecimento público democrático.
B) parlamentares atuam conforme interesses setorizados.
A atuação parlamentar conforme interesses setorizados pode ocorrer na política, mas não apresenta o fundamento democrático pedido. O foco é a legitimidade dos representantes diante da vontade popular, e não a redução da deliberação a interesses de um grupo específico.
C) representantes eleitos estão legitimados pela vontade popular.
Representantes eleitos legitimados pela vontade popular expressam a necessidade de reconhecimento público do poder. A alternativa faz a correspondência solicitada com a democracia representativa contemporânea, sem depender de hereditariedade ou de autoridade familiar previamente estabelecida.
D) aristocratas ocupam a classe média na estratificação social.
A posição de aristocratas na estratificação social não define a deliberação democrática. Além de deslocar o tema para uma classificação de classe, a opção não explica como o poder recebe reconhecimento público ou por que seus ocupantes estariam legitimados a governar.
E) governos hereditários dispensam a necessidade de eleições.
Governos hereditários que dispensam eleições tratam o poder como transmissão reservada a uma linhagem. Esse princípio contraria a correspondência democrática buscada e se aproxima justamente do modelo de autoridade que o texto coloca em contraste com a polis.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra C. A vontade popular legitima representantes eleitos nas democracias contemporâneas. Em comparações históricas, identifique o princípio compartilhado e preserve as diferenças institucionais: uma aproximação não autoriza dizer que os dois modelos são iguais em todos os aspectos.
Erro comum: Confundir um comportamento que pode ocorrer num parlamento com o princípio que legitima democraticamente o exercício do poder.
Para a próxima questão: Pergunte de onde vem o direito de governar na alternativa: da escolha pública, da família, da riqueza ou da imposição pessoal?
