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LinguagensEnem 2025 Pará

Questão 41 — ENEM 2025 PARÁCaderno azul · 1º Dia

Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve? Por que, realmente, como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como é que se começa? e que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranquilo? Sei que a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende ao escrever. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever. Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem, então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve.

LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Questão 41

Nessa crônica, os questionamentos da autora evidenciam uma

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Gabarito oficial: A

Gabarito letra A. Clarice reflete sobre escrever e sobre a possibilidade de dominar esse ofício. Para interpretar questionamentos, reúna as perguntas pelo objeto comum antes de atribuir uma emoção ou causa específica.

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📋 Ficha da questão

  • Área: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
  • Conteúdo: Crônica e metalinguagem: processo de escrita.
  • Prova: Enem 2025 Pará, Belém/Ananindeua/Marituba, 1º dia.
  • Identificação: questão 41, caderno 1 azul, página 18.

🔎 Passo 1 — Leia o comando

O comando pede o que os questionamentos evidenciam. As perguntas são numerosas, mas têm um objeto comum: a própria escrita. Vamos observar se a cronista avalia um texto pronto ou se interroga sobre o processo de começar, dizer e construir sua expressão.

📚 Passo 2 — Revise o conceito

A metalinguagem ocorre quando a linguagem se volta para seu próprio funcionamento. Uma escritora que reflete sobre como escrever tematiza seu fazer e os limites de seu domínio sobre ele. Isso pode envolver dúvida e surpresa, mas não permite concluir automaticamente que sua obra empobreceu ou que ela rejeita formas novas de criação.

🧭 Passo 3 — Encontre as pistas

  • As perguntas “como é que se escreve?”, “que é que se diz?” e “como dizer?” colocam o ato de escrever no centro da crônica, em vez de avaliar um assunto externo.
  • A imagem do “papel em branco” situa o problema no início e no desenvolvimento da criação. Não se trata apenas de julgar a qualidade de um resultado terminado.
  • A resposta “escrevendo” e a surpresa diante do próprio fazer apresentam a escrita como experiência que se realiza na prática e não como receita completamente dominada.

🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo

1. Reúna as perguntas pelo objeto

As interrogações variam, mas retornam a começar, dizer, aprender e exercer o ofício. Essa repetição permite reconhecer uma reflexão sobre a escrita sem atribuir um problema que a autora não nomeia.

2. Observe a relação com o saber

Dizer que não sabe escrever fora das horas de escrita expressa o caráter incerto da criação. A frase não afirma ausência de produção, incompetência geral ou queda na qualidade dos textos.

3. Leia o fechamento com o conjunto

A condição para se considerar escritora mantém aberta a pergunta sobre dominar o ofício. O efeito é reflexivo: a autora problematiza a própria atividade e não oferece uma condenação do que já escreveu.

✅ Passo 5 — Analise as alternativas

A) reflexão sobre o ato de escrever.

As perguntas se concentram em como começar, o que dizer e como exercer o ofício. Elas evidenciam uma reflexão sobre o ato de escrever, que é o objeto explícito da crônica.

B) preferência pela forma de escrita tradicional.

O texto não compara escrita tradicional e outras formas para declarar preferência. As dúvidas dizem respeito ao processo criativo, não à defesa de um modelo ou suporte específico.

C) angústia decorrente do empobrecimento da escrita.

A cronista manifesta incerteza, mas não diagnostica um empobrecimento da escrita. A opção acrescenta uma causa para a angústia que não é afirmada no fragmento.

D) insatisfação com o resultado final da sua produção escrita.

Não há apresentação ou julgamento de uma obra acabada cujo resultado a desagrade. O foco recai sobre o fazer e a possibilidade de saber como escrever.

E) resistência a impressões surgidas ao acaso no processo de escrita.

A surpresa com a própria escrita não equivale a resistir a impressões imprevistas. O texto reconhece a incerteza do processo, sem declarar recusa do acaso ou de ideias surgidas espontaneamente.

🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova

Gabarito letra A. Clarice reflete sobre escrever e sobre a possibilidade de dominar esse ofício. Para interpretar questionamentos, reúna as perguntas pelo objeto comum antes de atribuir uma emoção ou causa específica.

Erro comum: Transformar a dúvida criativa em diagnóstico de má qualidade do texto ou de resistência à criação.

Para a próxima questão: Pergunte: a autora está avaliando um produto pronto ou refletindo sobre a atividade que o produz?

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