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Questão 48 — ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
A credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade. A eloquência, quando levada a seu patamar mais alto, deixa pouco lugar à razão ou à reflexão, mas, dirigindo-se inteiramente à imaginação e aos afetos, cativa os ouvintes condescendentes e subjuga-lhes o entendimento.
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Edunesp, 2003.
Questão 48
No contexto do século XVIII, o autor propõe uma reflexão radical acerca da arte da eloquência, restringindo-a ao
Alternativas
Ver Gabarito
Gabarito oficial: E
Gabarito letra E. O trecho situa a eloquência no âmbito da persuasão e permite aproximar sua crítica da distinção platônica entre convencer e buscar conhecimento verdadeiro.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Ciências Humanas e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Filosofia: eloquência e persuasão em David Hume.
- Prova: Enem 2025, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 48, caderno 1 azul, página 22.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
O comando pede em qual âmbito Hume situa a eloquência e qual aproximação filosófica corresponde à crítica apresentada. Vamos localizar o contraste central: o discurso convence por reflexão racional ou pela imaginação e pelos afetos? Essa oposição orienta a escolha.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Persuadir é obter a adesão de um interlocutor, o que não equivale necessariamente a demonstrar a verdade de uma afirmação. O trecho critica uma eloquência que mobiliza a credulidade e os afetos, deixando pouco espaço à reflexão. A aproximação com a crítica platônica aos sofistas se apoia nessa diferença entre convencer e conhecer.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- A primeira frase estabelece uma relação entre credulidade dos ouvintes e descaramento do narrador. O poder do discurso cresce com a disposição do público para acreditar.
- A eloquência elevada ao máximo “deixa pouco lugar à razão ou à reflexão”. O texto não a apresenta como exercício rigoroso de demonstração lógica.
- O discurso se dirige à “imaginação e aos afetos”, cativa os ouvintes e subjuga o entendimento. Essas expressões descrevem um efeito de adesão, característico da persuasão criticada.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Identifique a oposição do trecho
De um lado estão razão e reflexão; de outro, uma fala capaz de capturar imaginação e afetos. O autor critica a força de um discurso cujo sucesso não depende de um exame racional das afirmações.
2. Nomeie o efeito produzido no público
Os ouvintes são conquistados e conduzidos pela eloquência. Isso caracteriza a persuasão. Não devemos confundir o êxito em convencer com a demonstração de uma conclusão verdadeira.
3. Teste a analogia filosófica inteira
A alternativa precisa reunir o âmbito da persuasão e uma crítica semelhante à capacidade de convencer sem assegurar conhecimento. A referência a Platão e aos sofistas corresponde a esse problema, sem exigir afirmar identidade completa entre os filósofos.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) sistema de crenças, conforme a proposta kantiana de objetividade do conhecimento.
A credulidade aparece no trecho, mas a opção a associa à objetividade do conhecimento em Kant. Essa associação não explica a crítica ao discurso que afasta a razão e conquista os ouvintes pelos afetos.
B) campo dos absolutos, semelhante ao entendimento medieval dos Universais.
O problema não é a existência de absolutos ou de Universais, mas o modo como a fala produz adesão. A alternativa desloca a discussão da atuação persuasiva do discurso para outro problema filosófico.
C) domínio da lógica, consoante a compreensão aristotélica nos Analíticos.
A lógica e a demonstração racional não são o âmbito ao qual o trecho restringe a eloquência. O texto afirma que ela pode deixar pouco lugar à razão e à reflexão, contrariando o vínculo proposto na opção.
D) paradigma da racionalidade, alinhado ao modelo cartesiano de método.
O trecho não apresenta a eloquência como método racional de investigação. A aproximação com o modelo cartesiano não corresponde à captura da imaginação e dos afetos descrita como problema.
E) âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas.
A eloquência é criticada por seu poder de persuadir, que pode subjugar o entendimento sem assegurar reflexão. Essa distinção permite a analogia com as críticas platônicas à atuação dos sofistas.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra E. O trecho situa a eloquência no âmbito da persuasão e permite aproximar sua crítica da distinção platônica entre convencer e buscar conhecimento verdadeiro.
Erro comum: Escolher um filósofo ou conceito conhecido sem testar a relação completa entre a alternativa e o argumento do texto.
Para a próxima questão: Em questões de Filosofia, formule primeiro a oposição conceitual do trecho; depois confira se os dois termos da alternativa a preservam.
