Mapa de questões · 1º dia
Questão 25 — ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia
Texto da questão
Passando por aqui para lembrar algumas palavras, frases e expressões que nos infernizaram em 2023. Inclusive passando por aqui. Se você for proativo, vai achar que é o novo normal. Estarão na sua zona de conforto. Mas, se for reativo como eu, vai achar que é uma narrativa que precisa ser ressignificada.
É uma questão de empatia. É sobre entregar um discurso mais robusto e empoderado. Sei bem que não tenho lugar de fala para harmonizar certos pontos fora da curva e que preciso aplicar toda a minha resiliência para fazer um realinhamento. O nível de fitness está hoje num sarrafo muito alto.
O fato é que acho cringe essas falas fora da caixinha. Aliás, falar cringe já é meio cringe. Preciso usar a superação para me reinventar e entender que resenha não tem mais a ver com futebol, é qualquer papo, desde que latente.
Pensando bem, não é tão difícil. Frases feitas são aquelas que entram por um ouvido e saem pelo outro sem um estágio intermediário no cérebro. A boca fala por conta própria, dispensando-nos de pensar. E não tem problema nisso. Ou as ditas frases se incorporam à língua ou morrem e nascem outras. A língua é assim. Simples assim.
CASTRO, R. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).
Questão 25
Nesse texto, a estratégia empregada para criticar a constante exposição a palavras, frases e expressões automatizadas é o(a)
Alternativas
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Gabarito oficial: E
Gabarito letra E. A crítica é feita com o uso humorístico das próprias estruturas colocadas sob reflexão. Em questões de estratégia, pergunte como o texto realiza seu argumento na linguagem, além de identificar o assunto ou a posição do autor.
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Entenda a lógica
por trás da resposta.
Aprenda a ler o comando, identificar as pistas do texto e avaliar as alternativas.
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📋 Ficha da questão
- Área: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
- Conteúdo: Argumentação: humor, ironia e reflexão sobre usos linguísticos.
- Prova: Enem 2025, aplicação regular, 1º dia.
- Identificação: questão 25, caderno 1 azul, página 12.
🔎 Passo 1 — Leia o comando
Galerinha, o comando pede a estratégia usada para criticar a exposição a expressões automatizadas. A pergunta é sobre como a crítica é construída. Vamos observar se o autor apenas explica seu incômodo ou se faz algo com a própria linguagem que exemplifica e produz essa crítica diante do leitor.
📚 Passo 2 — Revise o conceito
Um texto pode transformar a maneira de dizer em parte de sua argumentação. Aqui, o autor emprega expressões que ele próprio coloca sob exame. Esse uso concentrado e autoconsciente produz humor: o discurso encena aquilo que está comentando, em vez de apenas listar palavras e declarar uma opinião.
🧭 Passo 3 — Encontre as pistas
- A abertura inclui “passando por aqui” e logo chama atenção para o próprio emprego da expressão.
- O texto acumula fórmulas como “novo normal”, “zona de conforto”, “fora da caixinha” e “ressignificada”.
- Ao afirmar que dizer cringe já é cringe, o autor aplica a crítica à sua própria formulação.
🧠 Passo 4 — Resolva passo a passo
1. Compare o assunto com a forma do texto
O assunto são palavras, frases e expressões que passaram a ser repetidas. Observe agora as frases do próprio autor: elas também se enchem dessas estruturas. Essa coincidência é intencional e faz parte da estratégia.
2. Localize a consciência desse uso
O comentário sobre “passando por aqui” e a observação a respeito de cringe mostram que o autor percebe e explora a repetição. O efeito não depende de um erro involuntário, mas do uso humorístico do mesmo repertório criticado.
3. Diferencie estratégia central e marcas presentes
Primeira pessoa, conversa com o leitor e repetição de assim aparecem no texto. A alternativa deve explicar o procedimento que articula o conjunto: empregar as expressões tematizadas para tornar visível e engraçado seu uso automatizado.
✅ Passo 5 — Analise as alternativas
A) menção feita à efemeridade de alguns usos linguísticos aleatórios.
O final reconhece que expressões podem se incorporar à língua ou desaparecer. Essa consideração sobre mudança não explica, por si, a estratégia usada para encenar e criticar a automatização ao longo do texto.
B) subjetividade marcada pela reflexão que se desenvolve em primeira pessoa.
A primeira pessoa marca uma opinião, mas aparece em muitos textos sem produzir o humor desta crônica. A opção não identifica o uso das próprias estruturas criticadas, que é decisivo para o efeito construído.
C) efeito estilístico da repetição intencional da palavra “assim” no último parágrafo.
A repetição de assim participa do fechamento, mas não explica sozinha a organização de todos os parágrafos. A estratégia atravessa o texto e envolve várias expressões colocadas em uso enquanto são objeto da crítica.
D) sedução sugerida pelo envolvimento direto do leitor marcado nos usos de “você” e “sua”.
O contato com o leitor ajuda a construir a conversa, porém você e sua não demonstram uma estratégia de sedução como centro da crítica. A opção destaca uma marca presente sem explicar o efeito humorístico do conjunto.
E) humor gerado pelo uso das estruturas linguísticas que são objeto da reflexão desenvolvida.
O autor emprega repetidamente as expressões automatizadas que comenta e chama atenção para esse próprio uso. O humor nasce dessa encenação da linguagem criticada. Por isso, E descreve a estratégia central do texto.
🏁 Passo 6 — Leve o raciocínio para a prova
Gabarito letra E. A crítica é feita com o uso humorístico das próprias estruturas colocadas sob reflexão. Em questões de estratégia, pergunte como o texto realiza seu argumento na linguagem, além de identificar o assunto ou a posição do autor.
Erro comum: Escolher qualquer recurso que aparece no texto, sem demonstrar que ele explica o efeito solicitado no comando.
Para a próxima questão: Compare o que o autor comenta com o jeito como ele escreve. Quando a forma exemplifica o próprio tema, essa relação pode sustentar a estratégia argumentativa.
